Amor que fica

A pessoa mais doce, paciente e amorosa que já conheci. A sabedoria, a resiliência, os cabelinhos finos e branquinhos… a mãe de todos os seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Um exemplo de serenidade e alegria pela vida. Hoje completaria 96 anos, nos deixou há poucas horas pra levar luz pra uma dimensão que ignoramos, mas que tenho a convicção de ser da mais pura paz.
Agora é assim, ela virou saudade. E como li por aí: a saudade é o amor que fica. Ela hoje é amor dentro de cada um de nós 💜 minha bisavó, Dona Tonica.

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Adeus vovó Tonica

Olhei pela janela e lá estava a lua mais brilhante que já vi. Pego o celular pra ver a hora: descubro que perdi o sono às 3h00 e perdi também a minha bisavó, algumas horas antes. A nossa rainha, matriarca da família, dona de uma paciência e um coração sem igual, partiu pra um outro plano.

Eu disse perdi? Bem, acho que quem conhece a vovó Tonica sabe que com ela não está se perdendo nada. Aqui nessa vida foi quase um século de luz sem limites saindo daquele coraçãozinho – que há muito andava fraco (ora, como sair ileso de tanto amor?). Sua presença sempre foi uma honra, seus sorrisos acalentadores, sua hospitalidade perfeita e a serenidade invejável.

Na nossa última visita ela estava risonha, falava alto de um jeito que nunca a vi falar. O corpo estava terminando a jornada e a alma parecia de criança, se preparando pra uma nova vida. Cercada de muito amor, dos mais leves aos mais dramáticos, a vovó deixa um legado maravilhoso de paciência e perseverança, além de uma saudade danada em todos os filhos, netos, bisnetos e tataranetos – Que orgulho ela tem dessa família enorme!

A lua hoje tem a honra de presenciar o retorno aos céus da minha bisavó, Dona Antônia, nossa eterna Tonica. Viveu e nos trouxe à vida com a alma recheada de simplicidade e sabedoria. Cumpriu sua jornada e agora vai descansar, como merece. Nós, egoístas, queriamos mais da sua presença física, mas nos contentaremos com sua onipresença em nossos corações.

Que Deus te acompanhe vovozinha, e que sua alma nos acalme pra cessar este rio de lágrimas que sua partida nos trouxe. Feliz na nova vida!

Que sorte
Que sorte
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Expat – Etapa 12/199 check.

Eu sempre ouço “mas o que você vai fazer em Berlim?” e suas variações. Normalmente de pessoas que querem sair do Brasil – talvez pelo cenário econômico atual, talvez por fuga emocional e talvez porque gostam de se aventurar. Eu acredito que só fomos capazes de zipar as malas e partir quando a fuga emocional não fazia parte do contexto.

De resto, o cenário econômico e político brasileiro realmente vinha nos cansando. O daqui, porém, também tem suas mazelas – acreditem. Mas o maior e melhor de todos os motivos é a aventura de se começar um novo capítulo na vida cheio de desafios, acompanhados da pequena pessoa que nos encoraja diariamente, e que em muito breve será bilíngue.

A apaixonante Berlim
A apaixonante Berlim

Ontem conhecemos o Mark, nosso gerente do banco. Eu não saberia soletrar o nome dele, de família polonesa. Mark é jovem, pensa rápido, faz piadas espertas, acha o sistema do banco meio bobo, perde break do almoço sorrindo, dizendo que gosta do seu trabalho e que vai atender uma senhora polonesa – que está feliz em ser atendida na sua língua mãe – em breve.

Eu digo: que bom, você consegue fazer o seguro X pra ela, fica bom pras duas partes: e ele menciona que o salário dele não é vinculado às vendas dos seguros, mas sim, ele os oferece com o mesmo afinco aos que estão por ali.

Na nossa visita ao banco o gerente se demonstrou dedicado às nossas questões, resolveu tudo prontamente, contou quanto ganha, quanto paga de aluguel, sugeriu um site pra achar apartamento quando precisarmos nos mudar, contou que fala 5 línguas (explicou que francês, inglês, polonês e alemão vieram da infância) e que está querendo aprender mandarim e eventualmente espanhol. Ele também disse que vai aplicar pra um trabalho num grande banco chinês quando se formar na faculdade que está fazendo agora, fez uma piada sobre a chefe dele estar indo pra casa e disse que queria estar dormindo feito a Luiza naquele momento. Não, ele não queria. Ele está feliz fazendo um ótimo trabalho.

Precisamos dizer que foi a ida ao banco mais eficiente das nossas vidas? Não foi chato, pelo contrário. E me impressionou – mais do que as 5 línguas que o rapaz fala – a naturalidade com a qual ele menciona seus planos de sair dali sem perder a eficiência do atendimento, destoando completamente de qualquer discurso que já tivemos em bancos no Brasil.

Mais uma vez, acabamos de chegar, meu “relacionamento” com o banco acaba de começar, e muita água ainda vai rolar por debaixo dessa ponte, mas a princípio a nossa primeira escolha de banco foi encantadora. Além disso, só me resta pedir aos céus que me ajude a ter um quinto da capacidade de assimilação de línguas desse rapaz e que meu cérebro absorva a língua local o quanto antes, haha.

Em breve teremos histórias sobre as aulas de alemão. Me aguardem.

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Ao vivo – de Berlim

Eu não devia estar acordada.

Mas como estou com essa mania de acordar as 5h00 eu resolvi escrever, que é a melhor forma de organizar meu pensamento. Só que, em cada um dos canais ativos na minha mente, tá rolando um pitch diferente com o que posso ou devo resolver/desenvolver nos próximos 18 meses. A partir de terça.

Sim, porque chegamos na Alemanha às vésperas de um feriadão, e isso não é por acaso. De hoje a segunda tô de altas e espero vestir amarelo e rir de bobagem, se minha cabeça deixar. Pretendo dormir de novo jajá, mas antes deixa eu dizer algo pra desativar um dos canais.

Sim, mudamos pra Berlim. Formalmente foi ontem (30/09/2016), quando conseguimos tirar o Anmeldung – diga-se de passagem, em inacreditáveis 24h após o pouso e sem termin.

“Mas eu não fiquei sabendo que vocês iam!”… Gente, quase que não dá tempo da gente mesmo ficar sabendo =) Mas agora é real, e mesmo assim meu cérebro não desligou pra me deixar descansar quando durmo.

Eu acordo às 5h00 desde 22/08/2016 e pela lógica deveria ter se acordado 10h00, já que mudei de fuso. Como sou adepta de fazer limonadas com os limões que a vida me dá eu vou aproveitar o silêncio pra meditar, orar, agradecer e depois eu vou estudar até dormir de novo. Porque hoje é sábado, amanhã é domingo e segunda é domingo de novo, na cidade mais linda e receptiva que já conheci.

Botão de gratidão do Facebook, saudades.

Ain
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Ciclos

Ouvi hoje: Projetos precisam ser executados. Eu sou uma fazedora de coisas por natureza. Planejo muito mais do que consigo executar. Amo medir cada etapa, curtir cada pedaço do tempo, cada meta traçada. Comemoro o concluído, refaço o que não colou, repenso o que não vai dar.
Há muitos anos planejamos morar fora só Brasil il il. Pensamos em ter uma filha bilíngue. O cenário local não era dos melhores. Decidimos migrar: chegou o dia.
Não: Não chegou o dia. Chegou a semana, e nela as despedidas que planejamos não executar. Fui a MG, encontrei minha avó. Minha bisavó. Vi minha filha beijar a tataravó que o universo deu pra ela. Vi meu tio com uma energia e renovada. Vi uma chuva que não me lembro presenciar mais forte: entrei debaixo dela, ri e chorei.
Meus dias tem sido de planejamento e execuções de detalhes, excluindo as sensações. Há muito pouco tempo eu sei que sinto, porém. Sinto demais. Sei muito. Confio absurdamente.
O mundo está cada vez menor, o reencontro é inevitável: tão virtual quanto costuma ser ou tão lá longe quanto necessário. Sabemos o quanto fomos agraciados com os melhores amigos 🎈
Que sejamos iluminados onde quer que estejamos. Aos amigos de lá: estamos chegando. Aos de cá: free hugs.
Começou a contagem regressiva. Faltam só sete dias.

Neustart
Neustart
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encontros

Há dois meses eu me emocionei com o texto que replico abaixo. Denise, uma amiga de internet de longa data estava prestes a ter seu segundo bebê.

Ontem eu a vi pessoalmente pela primeira vez. Tive a honra de conhecer os dois pequenos e o enteado, e o prazer de ser recebida por eles na nossa primeira visita à Berlim.

Foi um breve passeio, se é que podemos chamar um traslado assim, rs. Mas foi bom, acolhedor e simples, como a humanidade pede.

São momentos leves, doces e pequenos atos de generosidade como este que me fazem apreciar as amizades que cultivo na vida. Digo sempre: Amigo é melhor que dinheiro, minha gente.

E ver os amigos felizes é ainda melhor.

Gratidão, Denise Emmermacher.

“Meu filho,

Está chegando a hora de você botar a cara no mundo. Ainda muito longe da sua independência de mim e do seu pai, mas é a nossa primeira separação. Entre eu e você.

Preciso te alertar que as coisas aqui não são fáceis. Peço desculpas, a princípio, por nem sempre estar bem e você ainda sente tudo que sinto. Estou postando esta música pra você. Pra que você saiba que estou sempre rezando por você. Que quando você vier será um ser tão puro que não vai precisar ainda rezar. Mas com o tempo talvez deixe algumas coisas entrarem dentro de você e aqui vai meu primeiro conselho: a oração faz a gente voltar ao estado inicial. Restitui tudo o que éramos antes. Tenho minhas dúvidas se algum dia a gente deixa de sentir nossas mães, então se algum dia você sentir que eu preciso ore por mim também. Ou pelo menos emane boas energias, será um bom começo.

Hoje sonhei com uma família de gorilas. Estavam subindo num penhasco e de repente a gorila mãe pariu lá do alto. O bebê caiu do penhasco, mas continuou vivo. Ele era diferente do resto, tinha traços humanos. Será que era você, meu filho? Estamos precisando disso: bebês com traços humanos.

Depois escreverei mais cartas. A próxima será pra sua irmã.

Um beijo,
Mamãe”

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Amamentação Prolongada

Quando estava grávida eu entendia que o hábito da mamadeira seria necessário na minha rotina. Meu trabalho não poderia parar: eu passei a vida adulta inteira (até o momento) me entendendo melhor como profissional do que como serumano. É minha terapia, onde faço a minha energia fluir e girar, me sinto útil, me adequo e cresço de forma gratificante.

Eu havia comprado mamadeiras maravilhosas anti refluxo, de vidro, super resistentes e bem recomendadas. Quando ela nasceu eu tirava 10-15 ml do meu leite e colocava na mamadeira pro pai dar pra ela. Foram 3 ou 4 vezes, até que um dia ele passou pro time de (inúmeras) pessoas que nos dizia pra não oferecer mamadeira. Foi tenso. Foi triste quando eu fui trabalhar quando Luiza tinha 4-5 meses de vida e ela não sabia usar/não queria a mamadeira com meu leite. Não queria meu leite congelado, nem fresco, nem no copo, nem na colher.

Entre os 4 e os 7 meses da Luiza eu sofria em todas as pesagens. O pediatra pediu que eu tentasse dar o leite artificial enquanto eu doava leite pro banco; muito leite. E Luiza se interessava cada vez mais pelo mundo, mamava apenas o suficiente, não ganhava peso como o padrão determinava enquanto eu doava e me remoía por… por tudo? Acho que por tudo.

Com o tempo eu passei a me forçar a entender que Luiza é Luiza, e não necessariamente é o bebê modelo do ganho de peso e dos hábitos alimentares. Eu li muitos artigos e opiniões de especialistas da amamentação, autores de todo o mundo. Com 10 meses, durante uma viagem ao RJ, ela passou 2 dias sem comer, mas mamando. Achei, na ocasião, duas leituras que me apaziguaram: diziam que o bebê amamentado pelo leite materno tem garantidos todos os nutrientes necessários até seus 18 meses. Ou mais, ou menos, pois cada bebê é único.

Eu entendi que minha função como mãe é oferecer o almoço, as frutas, o café da manhã, apresentar os alimentos. Comê-los ou não cabe somente à ela, felizmente ou não.

Pensei em amamentar até um ano. Luiza fez um ano no dia 30/11/15 e dois dias depois começaram a nascer seus primeiros dentes. E ela, que estava começando a comer melhor, desandou. “Só mais um pouco”, pensei. Com 15 meses Luiza se despediu da babá que cuidou dela desde os 4 meses. Com 16 meses foi pra escolinha. Com 17 meses mudou de casa. “Ela não merece lidar com a ‘perda’ do mamá concomitante a tudo isso”, pensei.

Aqui estamos, 18 meses de amamentação. Não é mais uma livre demanda, há tempos ela só tem por hábito o mamá da noite. Normalmente se ela pede fora do “horário” eu mudo o foco, ofereço água, ofereço comida. Se for sono nenhuma das opções serve, e ela mama alguns minutos até adormecer.

De repente um dente mais chatinho, um resfriado, e me vejo faltando o trabalho – uma das únicas vezes na vida – pelo fato de ter uma pequena febril, chamando mamãe e mamando interruptamente. Por fome, sede, alívio, carência, manha, pertencimento e amor. Passei o dia com ela, com poucos instantes perto do computador pra resolver o que não podia esperar.

A impaciência dá espaço a uma imensa gratidão por ainda ter esse privilégio de amamentar. A sensação de que a pequena continua pequena, mas que em breve não o será. Meu amor é dela, meu colo é dela, minhas intenções são pra ela. A amamentação é um trabalho árduo, exige paciência, tem picos de estresse e pode ser, dentro de toda a minha experiência de vida, o meu trabalho mais gratificante – até o momento.

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Vocabulário 2

Luiza começou a chamar a Margot de “Mambô”. Procura a Mambô embaixo do bloco e pela casa, falando “Dê?” com as palminhas das mãos pra cima, em gesto de questionamento.

Fomos pra São Paulo comemorar o aniversário da uouó – e ela amou todas as vezes que cantamos parabéns. Lá o priminho tem um puf em forma de bola de futebol, e como ela chamava este objeto? Mambó. Passa-se uma semana e eu digo pra ela “filha, olha ali uMA-BÓla. Ela repete na mesma hora “Mambóoo”, e resolvo o mistério; é uma bola, gente. Quando é pra falar só “bola” ela diz “bó”.

Ainda em SP, abri a mala e ela percebeu que ali estava o Golias, um elefantinho que toca músicas de ninar com quem Luiza dorme desde 1 mês de idade. A alegria em ver o amigo foi tanta que ela vibrou: “Lili! Lili! Lili!” pegou o bonequinho, deu um beijo e um abraço tão apertado que precisou até fechar os olhos – ela costuma dar esses abraços no bom-dia. No dia seguinte ela fez um upgrade de fonemas quando a vó chamou pelo seu nome, e repetiu diversas vezes o “Luí”.

Ainda nos Ls, Luiza chama o pintinho amareLInho e a gaLInha pintadinha de Li. Mas o pintinho ela chama apontando o dedinho indicador pra palma da mão, em referência à coreografia da música, que desconfio que seja a preferida dela. Quando ela vê que eu troquei de brinco ela aponta e diz Linn’a. As árvores também são lindas. Curiosidade: Luiza faz carinho nas folhas e destrói as flores arrancando pétala por pétala, as vezes colocando os pedacinhos no próprio cabelo, ou no meu.

Alguns dos seus brinquedos favoritos são: Nuná (Luna), Liss (Golias), Tatá (Patati), Píipi (Frida) e a Lulu (Coruja). Recentemente ela aprendeu a pedir ajuda (dudu?) quando se vê em alguma enrascada. O colo ela pede “ném, ném, ném, ném” agarrada às minhas pernas e dando saltinhos que acompanham o ritmo das sílabas, repetitivas como um alarme de incêndio. Já mencionei que ela me parece muito decidida?

As frutas são: lalá (laranja), tatá (abacate), mamão (mamão), mamão (limão), mamão (morango) e mamão (maçã). Mas ela gosta mesmo é de pum (pão), têj (queijo) e iogurte (tutu). Hoje de manhã eu dei um pedaço do meu pão pra ela e saí de perto, ela veio atrás de mim e disse “mais pum”, eu tenho vontade de rir até explodir!

Os fonemas vão se multiplicando, e não consigo acompanhar todos os significados por enquanto. Me controlo pra não corrigir, nem repetir, nem desfalecer de tanto rir, e assim deixá-la no curso natural do aprendizado, com a fofura extrema que acompanha o processo.

Luiiiii

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