Desintuitivamente

Eu sinto saudade. Mas de um jeito louco, sem sentido.
Eu não consigo compreender como podemos estar tão distantes e tão unidos. Minha família é meu cerne, minha base e está dentro de mim programados em cada célula minha. Amo até o infinito. Meus amigos tem todo o meu coração e minha eterna gratidão e admiração. São responsáveis pelo que me tornei e pela vida que construí. Estão em cada passo que dou.
Daí – pasmem – eu tenho uma saudade imensa e devastadora de quem? De mim. Descobri muito recentemente que meu perfil extremamente racional (para padrões brasileiros, diga-se de passagem) é muito mais um ônus do que um bônus. Minha energia não flui, as medições não acabam, a análise não tem fim.
Quando nos mudamos pra Berlim a pouca dedicação que eu tinha pra com o meu coração se tornou nula. Não queria sentir nada e não queria me deixar distrair. Essa coisa de migrar é muito doída (e doida também). A gente começa a se ver como nunca se viu, põe tudo em perspectiva, repensa as maiores convicções, porque agora o mundo começa a te mostrar facetas que não eram perceptíveis nem assimiláveis. Aqui eu excluo todas as dificuldades práticas da expatriação.
Calei meu coração pro medo e me enchi de argumentos que me deram coragem e gratidão. Ainda assim: usei argumentos. Analisados, escolhidos, com diversos desdobramentos e ajustes. Cada ideia sendo tratada como um projeto. Esse trabalho não tem fim.
Com tanto foco nos meus pensamentos, eu esqueci de mim e quem eu sou – com uma mãozinha, claro, da maternidade.
Estou tentando racionalmente resgatar minha intuição e alguma leveza, enquanto estimulo minha irracionalidade (no melhor dos sentidos) por meio de experiências sensoriais e flertando com a magia.
PS: nada como uma auto análise de complexidade mediana pra se sentir produtiva em tempos de ódio.

Percepções redefinidas

Aprendi a ler antes dos 4 anos brincando com as cartilhas da minha irmã. Tinha pavor da alfabetização precoce porque a minha aparentemente me gerou, basicamente, estresse. Tenho diversas memórias na infância que hoje entendo como cobranças desnecessárias, pois eu era tida como uma promessa de “sucesso”; e simplesmente sou uma pessoa bem mediana que questiona os o que chamam por aí de sucesso.

 

Pois bem, minha filha com 1 ano e meio brincava de ler a marca na lona da piscina “pi-shi-na vo-vô”, passou a perguntar o que tava escrito em tudo que queria e memorizou as letras pouco antes de fazer 2, isso sem estímulo intencional à alfabetização. Luiza memorizou sei lá quantas logomarcas porque apontava pra faixada das lojas e perguntava “que mercado é esse?”, eu só respondia. Em seguida a gente tomava o ônibus e ela ia berrando “olha o Lidl! Olha o Rewe! Olha a DM! O banco do papai! Aquela moça tem uma sacola do Edeka!”, Eu gargalhava com um mix de roxa-de-vergonha e morta-de-orgulho daquele bebê de fralda apresentando as lojas pelo caminho.

 

Comecei a dar uma surtadinha basica e, nas conversas com amigos, eu entendi que não responder quando ela pergunta é um desrespeito ao interesse dela e que eventuais malefícios viriam da imposição do aprendizado, eventualmente também da cobrança de uma genialidade por parte dela.

 

Agora estamos chegando a 3 anos e meio, ela pega o lápis de cor e escreve a letra A ou S, ela pega o meu telefone quando toca e já me avisa quem tá ligando e vez por outra me traz umas pérolas, tipo dizer que na capa do livro tá escrito Margô (o sobrenome do autor é Ca’margo’) e dizer que o Terno “é com a mesma letra da Lanterna”. Eu acho graça, sinto um orgulhinho e não tento impulsionar mais, seguindo o ritmo da curiosidade dela.

 

Na Alemanha não há alfabetização antes dos 5-6 anos, quando as crianças vão pra escola, ela tá na Kita e o dia é preenchido com passeios, música, histórias e brincadeiras. Mesmo assim se eu falar no verão “in Sommer” Ela me diz “mamãe, é im Sommer, com M assim” fazendo um M de libra, que não faço ideia com quem ela tá aprendendo, haha.

 

Segue o baile…  Eu tava com uma lista de compras na mão e a Luiza pediu pra escrever. Eu falei “tá, escreve seu nome”, isso foi há umas três semanas. Não é que ela escreveu? Ela tem 3,5 anos, saiu um Z zoado e conhecendo minha cria, sei que ela se embananou no A por conta disso. Eu fiquei embasbacada sem querer fazer muito alarde pra não inibí-la.

 

Semanas depois eu disse pra ela que minha amiga que estava nos visitando também amava as letras e sugeri que ela escrevesse o nome de novo. Ela, bem serelepe, pegou o giz de cera e mandou esse L “pequenininho pequenininho” o U assim do lado e assim por diante, narrando a tarefa. No fim ela perguntou, “mas mamãe isso aqui não é um C?” apontando pro Z dela. Eu disse que o Z é bem difícil de fazer mesmo, mas que o dela estava excelente pra idade dela, mostrei com o giz vermelho como tinha sim um Z ali.

 

Luiza me vira do avesso e redefiniu minhas certezas. E eu, que ainda brigo comigo mesma pra definir minhas levezas, vou levando esses cutucões e torcendo pra seguirmos nosso caminho tranquilamente, pacientemente, naturalmente… E assim ela continuar a me ensinar.

 

(Ainda sem conseguir subir as imagens, assim que der eu ilustro)

Quase todo dia

Eu não vou hoje reclamar que não estou com minha mãe, porque sou dessas chatas que acredita que dia das mães é uma data comercial propensa a nos causar decepções. Foco no lado bom, minha mama está com a mamãe dela! <3

Eu sinto muita falta da minha mãe quando a Luiza dança. Também quando vou à feiras de antiguidades, ou quando passo por um jardim bonito, quando quero ir pra piscina, quando estou escolhendo roupa pra ir pro trabalho, quando tento não matar minhas plantas, quando meu marido não quer passear, quando faço uma gambiarra, quando tem comida demais na geladeira, quando tem comida de menos na geladeira, quando meu estômago tá atacado – ou tenho qualquer outro problema de saúde, quando ponho cenoura na farofa, quando vejo uma vitrine bonita, quando vejo molho de pimenta no mercado, quando demoro 50 minutos pra fazer um pingo de comida só pra mim, quando invento qualquer coisa legal e sei que ela ia gostar, quando arrumo meu armário, quando marido faz comida gostosa em casa, quando junto os amigos pra passar o dia papeando, às quintas-feiras, às sextas, quando os parques estão cheios, quando chove e quando eu sujo uma roupa muito chata de lavar.

Só.

Te amo, mamadi. Espero pacientemente e amorosamente pelos nossos encontros.

Tijolinho por tijolinho

Quando eu era criança eu sonhava em ter uma casa com escada e cachorro. Quando casei com ele eu tive. Quando era adolescente eu dizia que se tivesse filho eu ia querer um sagitariano. Com ele eu tive.

Quando eu me entendi por gente eu dizia que queria morar em Paris. Ele me levou pra lá, passeamos de bateau no rio Sena e subimos a torre Eiffel – de escada – pra vermos a cidade luz do alto, num fim de tarde incrivelmente lindo. 

Eu sonhava em morar fora do Brasil e trazer uma miscelânea de culturas pra minha casa, com ele eu vim. 

Eu não tinha certeza se queria ser mãe, com ele eu quis. Ele me deu a possibilidade de estar vivendo a experiência mais intensa da minha vida, criando essa mini figura a quatro mãos: regadas de suor, confiança e orgulho.

Eu cresci cheia de certezas e controladora, ele faz a egípcia pras minhas orientações e discorda dos meus critérios, até por fim acharmos juntos um consenso, cheio de maleabilidade pra lá ou pra cá.

Ele quebrou minha dureza, me faz repensar. Me fez acreditar no impensável, em mim e na resiliência do amor. Tenho a-sorte-de-um-amor-tranquilo-com-sabor-de-fruta-mordida que me deixa de olhos marejados de orgulho; da nossa história, das nossas batalhas, da nossa cumplicidade.

Se não fosse pelas idéias dele eu não estaria onde estou. Se não fosse pelas minhas ele não estaria onde está. Nós estamos construindo esse infinito que é amor/casamento/família sabendo que ainda temos muito a conquistar e ainda muito a perder – o bom e velho paradoxo da escolha. 

Eu escolho você, Fabricio Cinelli. Com o mau humor matinal, com seu cuidado com a gente, com seus talentos, com a impaciência, lealdade e companhia. Todos os dias são nossos. Te amo. 

Tesoura

Das doçuras da vida:
Luiza ganhou da tia Rejane há pouco mais de um ano uma “tesoura” num jogo de massinha de modelar; amarela, minúscula e toda de plástico, perfeita pro propósito.
Aqui estamos, 3 anos e 4 meses de esperteza com as palavrinhas, uma ótima coordenação motora e a inocência do tamanho dum bonde.
Toda vez – toda vez mesmo – que eu mencionava que precisava de uma tesoura pra cortar algo, fosse um fio, uma corda, tecido ou papel, ela instantaneamente me dizia:
— com a minha amarela?
O tempo foi passando e eu passei a responder que aquela não dava, porque ela é de massinha. Hoje ela pediu pra tirar esse (gancho) prateado das cabeças da Swoops e da Mimi, eu disse que dava pra cortar com a tesoura.
— pode ser minha tesoura amarela de massinha?

A frase aumenta, a fofura permanece.

Manhei

Luiza há uma semana começou a usar um verbo novo, o MANHAR.

Filha, pega essa sacola pra mim? “Você tá manhando essa mamãe?”, “eu manho que vou de patinete”, “você manha que eu posso fazer isso? eu manho que não”, “mamãe, você manha que papai tá chegando?”.

Foram 3 dias de eu manho, você manha, está manhando até eu entender que ela traduziu o verbo meinen do alemão. Pra quem entende inglês, é parecido com o verbo to mean.

Agora alguém me avisa se é certo morrer de orgulho de um trem errado desse tanto?

Sobre relações sociais

Hoje cedo pipocou pra mim alguns trechos do Zuckerberg falando ontem sobre os escândalos do Facebook no congresso americano.
O que me impressiona nessa história é perceber como a gente se acostumou e aprendeu que o Facebook é mandatório pra moldar sua imagem na vida – como se o fato de se preocupar com sua imagem perante a sociedade já não fosse polêmico o suficiente, hshs. E o entendimento das nossas relações sociais passou a ter um único dono, que é o presidente executivo da empresa que gerencia nossas fontes de contato. É, no mínimo, muito estranho.

A ferramenta deixou de ser uma brincadeira com os amigos (eu entrei jogando Mafia Wars e outros joguinhos pra compensar a falta de um Nintendo na vida) e virou meio de vida, moldou minha área de formação e a profissão de muita gente. Eu parei de jogar, aprendi a compartilhar onde eu tava, o que eu penso, de quem eu gosto e o que eu como. Enquanto isso eu vi namoro balançado porque a pessoa não quis linkar o parceiro no perfil, já vi gente que soube do término da relação porque esse link sumiu, já vi gente brigando por ter lido nas entrelinhas do post alheio uma crítica que podia nem ser real, gente que se desdobra pra ter as mais belas imagens da vida pra ganhar curtidas e fica por conseguinte enlouquecido com o colecionamento desses cliques. Não estou falando de empresas.

Eu venho usando o Facebook cada vez menos, não saio porque tenho uma resposta muito positiva nos grupos que participo e eventualmente vou contar as perolinhas da minha pimpolha, mas essa página me dá muito mais desgosto do que prazer, e no desuso eu acabo ganhando. (app de grupos, sdds) Também tenho tentado dosar meus acessos, mantendo-os em determinados horários do dia, de preferência longe da Luiza – já que aquele feed não tem fim e a gente acaba se perdendo em quanto tempo estamos perdendo.

Aprendemos a nos conectar nos distanciando fisicamente, afinal sabemos da vida de todo mundo – ou das pessoas que o algorítimo nos permite ver – superficialmente; então o tomar um café ou ligar pra saber como estão perde o porquê. e existe toda uma geração moldada com essa base social calcada no virtual, não ha como voltar atrás – se é que isso seria vantajoso. O que noto é que a gente perde o tempo de cuidar das nossas vidas consumindo informação superficial com leads sensacionalistas (falsos ou não) enquanto rodamos esse feed com design viciante e salvamos trocentos links maneiríssimos que nunca iremos abrir, porque afinal temos uma vida pra cuidar. Ad infinitum.

Não creio que seja segregando que se desenvolve empatia, não sei se os debates políticos nos levam a algum lugar diferente do asco e do rancor, ou as pessoas não estariam se informando melhor caso fossem vítimas estivessem à mercê exclusivamente dos grandes meios de comunicação do Brasil.

Eu não sei sobre vocês, mas no meu feed só aparece gente anti-homofóbica, com consciência ecológica e que odeia qualquer linha de fascismo. Uma pena que na verdade o que lemos no Facebook está longe de ser a realidade popular.

Marielle Presente

Eu adoraria ter conseguido falar sobre o que senti ontem com a notícia da execução de Marielle Franco. Não falei, só chorei.
Eu adoraria dizer que tenho esperança. Eu queria conseguir explicar pra minha filha a razão da minha tristeza e dos meus choros pontuais. Como eu queria ter vindo morar fora só pra realizar um sonho e não pra fugir do medo diário, do desgaste de energia, da desesperança de estabilidade e de um abismo social longe de ser tratado. Da educação elitizada – que perde muito de seu propósito e seu valor, na minha opinião.
A execução covarde de uma vereadora defensora dos direitos humanos, da vida humana, que dava voz a gente que merece ser ouvida me dilacera por dentro. Representatividade importa. Ela o fez com a coragem que se deve ter quando se ocupa tal espaço.
“Preto, mulherzinha, viadagem, macumbeiro, favelado”. Inferiorizados e calados.
Me intriga. Me dá asco a ousadia, covardia dessa gente branca, ultrapassada, ignorante que não sabe que o preconceito os faz muito menos humanos do que qualquer dos marginalizados por eles próprios.
A dor me toma conta diante de tudo que leio. O horror em ver tanta gente atordoada, eu sem saber como reagir, a vontade de gritar e pedir perdão por todos, por tudo.
Não tenho mote, não consigo formular muito… não tem graça, não tem início meio e fim. Hoje meu post é um mero desabafo: desconcertado, abafado e triste. Deus nos proteja…

Perolinhas

3 anos e 3 meses. Uma metralhadora de conceitos emaranhados no que ela ouve por aí. Muito “certo e errado” e um perfilzinho analítico e detalhista querendo argumentar.

…….

Depois do banho perguntei se Luiza queria ficar mais uns minutinhos brincando na banheira. Quantos?
– Dez!
Saí, voltei, conversei com ela, fui na cozinha, voltei, falei com ela de novo, e de repente voltei sem falar nada e ela faz uma cara seríssima:
– Não passou dez ainda!! Eu tava contando!!
– Ah, tudo bem, devo ter me distraído. Quantos minutos faltam, filha?
– Vinte!
…………………………

– Filha, quer ver o Pinocchio antes de dormir?
– Sim! A Tanis da minha Kita fala Quinóquio. Ela fala errado, Pinocchio não é com Q, é com P!
– Que fofa!
– É mamãe, ela fala errado. Quinóquio. É errado.
– É porque ela é pequena, filha. Quando você era pequenininha e chamava o elefante de Tutu não era errado, era só seu jeito de falar. Você tava aprendendo ainda.
– Mas mamãe, Quinóquio é errado – gesticulando muito.
– Você acha, filha? E Pelevisão?
– Pelevisão é certo!

…………………………

— Mamãe, o que é isso branco aqui no seu cabelo?
— Isso é meu cabelo mesmo, são os cabelos brancos que você me deu.
— eu acho que eu não te dei não, eu acho que eles estavam aí mesmo.
…………………………

Botando pijama na miúda e conversando sobre as coisas que ela não precisa fazer:
— você já é craque, filha. A mamãe foi aprender essas coisas grande já. Sabe quando?
— hum? (Olhar muito interessado)
— com quase 30 anos.
— Trinta mamãe? Igual minutos?

*Dessa vez eu gargalhei*

Passagens

Faz tempo que bateu aqui que a graça dessa vida é superação e gratidão. Eu vim pra Brasília/São Paulo depois de 1 ano e 2 meses de Berlim. Agora estou a 36 horas de partir de volta pra casa.

Estou terminando a jornada de quase um mês no Brasil com encontros lindos na memória, abraços infinitos que afagaram meu coração e chorinhos divinamente consolados pelos anjos amigos que a vida me deu – que são minha grande fonte de gratidão e aprendizado.

Na última semana eu encontrei minha amiga Sandra, que me foi apresentada em 2008 pela primeira chefe, Gigi – que sempre digo que foi quem me ensinou a trabalhar. Trabalhei também com a Sandra, que me dava lições diárias de garra, persistência e compaixão. Nós nos tornamos amigas.

Na última quinta eu tinha uma reunião pra qual Sandra me ofereceu uma carona, mas por força do destino foi cancelada e tivemos tempo para um lanche juntas. Conversamos sobre os rumos da vida, os replanejamentos, reestruturações; a beleza da resiliência e da simplicidade.

Ela estava leve, sorridente e com a gargalhada gostosa de sempre. Me prometeu uma visita no meio do ano, já que seu filho do meio vai estar por ali. Mas nós não sabiamos que ela estava encerrando seu ciclo no nosso plano. Eu não consigo mensurar o que senti quando soube da sua passagem. É devastador saber que uma mãe foi embora. As mães deviam ser eternas.

Tive um colapso seguido de resgate – de novo esses amigos-anjos me ajudando a me curar. Minhas crenças se sobrepõem às lágrimas. O susto aos poucos vem dando lugar às orações – que pareciam caça palavras ontem. A sensação de dormência vai dando lugar à gratidão por ter uma amiga como ela cruzando meu caminho. Gratidão ainda maior por tê-la encontrado há poucos dias e testemunhado a leveza que ela sempre mereceu.

Minha irmã ontem mandou um texto que dizia: “Quando chegar o momento de partir dessa vida, uma pessoa iluminada, que vive em paz e em harmonia com o mundo inteiro, se moverá para uma dimensão de total benção e alegria.” E assim é.

Eu espero ainda ter a oportunidade de dar todos os abraços possíveis em todos os amigos enquanto estamos por aqui. E que meu ego compreenda que para morrer basta estarmos vivos. Não é preciso entender, apenas aceitar. Enquanto estamos aqui, o melhor a fazer é crescer, superar, agradecer e amar.

PS: Acho que as mães são eternas, afinal amor de mãe não acaba.