Birra 3/2017

Nota de quando a sagitariana de quase 26 meses (que desmamou há 5 dias) pede mamá depois do almoço, quando é normalmente a hora da soneca.
Lembrei a ela que acabou. Ela não disse nada. Comemos mais, depois deitei com ela. Eu contei história, ela continuou inquieta e pediu leite. Nós levantamos, vimos desenho, ela quis ficar sozinha e de pé, larguei lá, fiquei vendo de longe os olhinhos relutantes e baixos de sono. Deitou, resmungou… mas não pediu nada. Pouco antes das 16:00 (3 horas de “atraso” do sono) ela disse que queria sair, mas não queria por roupa. Daí pediu mingau. Eu fiz o mingau e ela começou um choro nível 10, inconsolável, falando que não queria. Choro e urro, nervosismo extremo. Depois de mais de 20 min comigo oscilando entre o desespero e a ignorância em meio aos berros eu a peguei no colo pela décima vez e falei: “OK vamos sair”. Ela se acalmou, “quelo saí”. E os olhinhos fecharam. “Filha, você não quer sair, você tá com sono, precisa dormir”. Gritos de novo. “OK, vamos sair. Vamos sair…(sussurrando)… A gente vai sair de carrinho. Vamos sair… Vamos sair…”
Foto do resultado.

no colo
Exaustão
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O fim de uma era

Eu tenho um pouco de receio em registrar este fato, mas após a última soneca estou confiante. Vou relatar, portanto.

Luiza mamou (assim, no passado) por 2 anos, um mês e 20 e poucos dias. Esse negóz de livre demanda a gente já abandonou faz um bom tempinho. Dias antes de virmos pra Berlim, entretanto, ela resolveu se comportar como um recém nascido e mamar loucamente e absurdamente. O vôo pra cá foi enlouquecedor, ela plugou no meu peito e terminou quando pousamos. Eu só pensava que vida linda deve ter aquela mãe que tava dando mamadeira pro filho na poltrona do lado.

Eu estava exausta.

Sim, amamentar é uma dádiva. Nada se compara aos benefícios para a criança, a OMS recomenda a amamentação até os 2 anos, bla bla bla. Sou defensora do leite materno, sou orgulhosa por ter chegado onde cheguei, tenho muita sorte por ter apoio e por conseguinte não ter desistido.

Mas eu estava exausta.

Daquele vôo até a semana passada passamos por 3 ou 4 resfriados. Por pior que parecessem todos eles saravam completamente em 2 ou 3 dias, acredito que por conta do “mamá”. Tenho uma mocinha que nunca arrancou meu peito pra fora, ou deu escândalo pra mamar fora do horário ou lugar combinado, desde que começamos a ter esses padrões. Tenho um anjinho e tenho sorte.

Sim, mesmo assim eu estava exausta.

Há mais ou menos três semanas eu estive numa conversa com uma amiga e mencionei como eu estava esperando ela se adaptar no Kita e o inverno acabar pra tirar o mamá. A Luiza aparentemente estava brincando com as amiguinhas na minha frente… mas ela ouviu, interpretou e, assim que chegamos em casa, as próximas 12 vezes que eu disse a palavra “Kita” eu recebia a resposta agressiva “EU QUELO MAMÁ!” – com uma cara superbrava.

Eu sentei ela comigo, expliquei que a gente ia pro Kita, mas quando chegasse ia ter mamá, e que a mamãe não ia parar de dar hoje. E pensei: ok, ela vai mamar até os oito anos. Desde então, cada vez que ela pedia pra mamar a noite eu negava uma vez e dava na próxima.

Daí quatro dias atrás ela acordou e mamou. Como sempre. Mamou pra tirar a soneca da tarde. Só que naquele dia ela mamou 3 vezes e não dormiu… Eu simplesmente disse que tinha acabado. Ela disse algumas vezes “eu quelo mamá não”, sendo esse “não” providencialmente adicionado quando ela se lembrava que não tem mais.

Nas últimas noites e sonecas da tarde eu tenho apresentado pra elas as rotinas de soninho que as outras crianças tem: lemos, vimos desenho, cantamos e contamos histórias. Ela adora as histórias. As vezes ela acrescenta um detalhe vindo diretamente da cabecinha dela. Exemplo fofo:

(…)”e ficavam olhando pras estrelas, láaa no céu”… e ela apontando os dedinhos em movimentos circulares pra cima “e a nuuuuuuvens, e a luuuuuua”(…)

Uma falação sem fim compactadas em menos de 10 kg de fofura extrema.

Pra não dizer que ela não pediu mais, nas últimas 3 noites, sempre perto das 5h00, ela resmunga e pede… mas eu falo “lembra que acabou?” e ela já emenda “quelo hitólia, mamãe”. E às 5h00 da manhã, babando de sono eu balbucio “era uma vez” seguido de qualquer outra coisa. Em 50 segundos ela dorme. E isso se repete por 2 ou 3 vezes antes de acordar pra valer.

É o fim de uma era. Ainda não senti falta, se é que sentirei. Por agora só orgulho de nós e a ansiedade pelo fim do despertar desorientado das 5 da manhã.

https://www.instagram.com/p/wrKg91o3BU/?taken-by=civinhal

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25 meses e 19 dias

Faz 3 dias que Luiza fala “a mamãe não levou a Luiza no parquinho” vez por outra.

Hoje ela acordou da soneca e eu perguntei se ela queria ir, ela disse que não. Mencionei uns 3 diferentes. Nada.

Daí pergunto se ela quer ir na piscina, ela topa. Fomos, nos divertimos um monte, ela tomou dois caldos sem chorar, correu, pulou na água trocentas vezes, atravessou a piscina sozinha, até que pediu pra ir embora.

De lá fomos no mercado, que é quase de frente – e que ela adora. Levou bichinho, perdeu, achou, comeu, cantou, pediu guloseimas, disse “obaaaa” mil vezes.

Do mercado pra casa passamos no banco. Lá ela disse que queria brincar no iPad quando chegasse. Chegando em casa ela comeu mais, brincou no iPad, disse “eu te amo auau” pro cachorro do Playkids. Pediu pra dormir rapidinho.

Enquanto visto o pijama, pouco antes de dormir ela olha pra mim e diz: “mamãe não levou a Luiza no parquinho”

Fim.

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Que rotina?

Nos últimos anos, se você é minimamente ligado no tema já teve acesso a algumas dezenas de artigos que tratam da culpa materna. Há um crescente movimento contra a romantização maternidade e da gestação. Um Viva a estes processos, porque a gente não merece passar a vida achando que é a única mãe imperfeita do mundo.

Aqui, em meio a uma fofura sem fim e meu eterno encantamento pelo desenvolvimento da pequena, eu tenho sofrido diariamente – e excessivamente – pelo fato dela não estar conseguindo entender a rotina. Estamos na seqüência mudança de casa > mudança de país > sol se pondo antes das 16h > dois anos > escola nova (eu já li sobre uma fase de regressão do padrão de sono aos dois anos, me apeguei ao motivo).

Tô careca de saber que passa. Mas tá sendo duro botar ela pra dormir 2-4 vezes por noite, sempre bem depois das benditas 21h, que foi o horário dela literalmente desde o dia que nasceu.

Fico zonza de tensão conforme as horas da soneca da tarde vão passando. Quando ela acorda e vê que está escuro lá fora é um sacrifício fazê-la entender que ainda não é hora de dormir. Junta tudo isso com o apreço ao “eu não quelo” dos últimos dias… É dureza.

Como mencionei no último post, sou boa em relativizar os sentimentos, então tenho me policiado pra tentar suavizar o meu desespero, hahaha. Mas é difícil e, apesar de estar curtindo a temperatura, o aprendizado e cuidando de tudo pro inverno ser mais suave, eu estou contando os dias pro solstício.

Eu parei há alguns anos de encarar a virada do ano como um recomeço, mas saber que a partir do Natal nossos dias voltam a ser maiores me faz desejar 2017 todos os dias.

Continuo a nadar.

https://www.instagram.com/p/BNUW8cVBxXJ/?taken-by=civinhal

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Evoluindo

Eu tô aqui num dia leve, sem muita coisa na cabeça, tive tempo de estudar, mas aí veio um papo com marido sobre o fato da Luiza ter aparentado estar com saudade dos avós um dia desses.

Eu acho que a forma dela construir a própria relação com a saudade será diferente de tudo o que a gente sente atualmente. Se os prós de estarmos aqui não fossem maiores que esse “pequeno” fato dela crescer longe da família nós não estaríamos aqui. E não estaríamos confiantes e determinados com nossa escolha. Não me preocupo. Acho que as férias no Brasil serão sensacionais. E acho que ela vai chorar no fim assim como eu chorava pra ir embora do Carmo do Paranaíba, onde passava tempo com os primos e tudo era festa.

Daí eu penso em mim, na minha saudade, no meu sofrimento – aquele que eu já mencionei que eu despacho rapidinho. Poucas coisas me causam o buraco no peito que sinto quando vejo foto ou vídeo da Luiza com o Gabriel na chácara da minha mãe. Bu-ra-co. É duro ver que aquilo não tem data pra acontecer de novo, e como estarão grandes quando acontecer.

Ainda bem que por aqui as coisas estão evoluindo, que a pequena gosta da escola, que a matéria no curso de alemão hoje fez algum sentido e que o frio de -5°C ainda me parece gostosinho.

Relativizar sentimentos é uma arte.https://www.instagram.com/p/BNmmYhbhrNu/?taken-by=civinhal

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65 dias

Tivemos uma semana de celebrações: 7 anos de casamento e 2 anos da Luiza.

Hoje completamos 65 dias de Alemanha. Não é nenhum número extraordinário, não há nada de muito grandioso a ser comemorado. Mas já temos um grande apanhado de pequenas conquistas que merecem ser valorizadas, bem como o sol que está brilhando lá fora e deixando o frio de poucos graus – às vezes negativos – um tanto mais afável.

Batemos cabeça, vamos ajustando a rotina, vendo onde erramos e o que devemos repensar. Nada é fácil e nada parece excessivamente difícil. E, como acho que já mencionei por aqui, a Luiza traz uma leveza pra nossa rotina que ameniza a dureza da adaptação. Sabemos que estamos todos muito bem de saúde e cheios de opções pra chamarmos de oportunidades.

Eu venho me contentando muito com pequenas coisas como ver um rosto conhecido pela vizinhança e tentar falar alguma frase que eu considerava impronunciável há 50 dias e ser compreendida algumas vezes. E tem aquelas conquistas relativas à Luiza que considero de médio porte, tais como conseguir uma vaga num bom Kita pra ela, ouvi-la reclamar por ter que ir embora de lá e fazer uma consulta numa pediatra excelente que a examinou enquanto ela cantava – e por conseguinte não chorava. E por fim, ter 5 crianças se divertindo na minha casa pro aniversário de dois anos dela.

O bom de começar uma vida do “zero” em outro país é poder reescrever algumas coisas. Hoje tenho um plano na cabeça de me manter focada nos estudos da língua pra tentar estudar algo em outra área num sistema metade alemão metade inglês. Porém posso começar a trabalhar e diminuir o ritmo do alemão. Posso também fazer um curso 100% em inglês. A palavra de ordem é resiliência. Não há nenhuma ordem a ser seguida – apenas a garantia que devemos estar todos bem.

https://www.instagram.com/p/BNE1WqoB3lb/?taken-by=civinhal
Hoje eu sei que estamos melhores, mais felizes, mais focados e mais assertivos do que há 3 anos, e que ajustes são necessários. Feliz 65 dias de Berlim pra gente =)

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Lidl, parquinho, domingo

Luiza descabelada de pijama e carinha de sono, recém acordada:
– filha, sabe onde a mamãe quer ir hoje?
– no Lidl (um dos mercados aqui perto)
– não filha, hoje é domingo, o Lidl está fechado.
– domingo (seríssima)
– sim, hoje é domingo, mamãe quer ir pro par…
– qui-nhooooooo!
– isso, hoje é domingo e mamãe vai pro parquinho
– mamãe vai pro domingo e vai pro parquinho
– hoje é domingo e a gente vai pro parquinho
– a gente vai pro domingo, mamãe!

Introdução aos dias da semana com a mini pessoa que adora palavras novas.

Aprendiz
Essa semana a Telesão virou “Pelevi-são”
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Monólogos

Acordou faz uns 20 min e não parou de falar/cantar um instante. Dentre as pérolas:
“O Papai não tem mamá”
“A cabana chama o castelo”
“Mamãe, acho que a zebra voou”
“Oooolha! Um monte de azul! Azul é blau blau blau”
“Cadê o Papai?” (Foi pra aula)
“Eu tô sem Papai!!” (Abrindo os braços com as palmas da mão pra cima forjando um desespero)
“galinha, o Papai vai voltando”
“Eu quelo pizza de prato roxo”
“A mamãe é muito grande”
Sobe na cama, vai até a beirada e diz “como que você desce agora?”
“Deixei a amalela na cadeila do blau” (o imã amarelo na cadeira azul)

Teremos um longo dia pela frente :)

Luiza descobriu que os ímãs colam na cadeira
Luiza descobriu que os ímãs colam na cadeira
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