Espiritual > Físico

De repente, depois de gritar por socorro, fazer exercícios, encher a cara de clonazepan, resolvi ir até o lugar onde minhas orações se transformam em transe.
Encontrei uma amiga, um guia, concentração, um break do celular e finalmente consegui relaxar.

E hoje simplesmente voltei a ser eu. Piadista, rápida, animada e esperançosa. Assim não há como não vencer ;)

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Conquista, pisc pisc.

Foi aniversario de uma das pessoas mais sensacionais que o universo me trouxe nesses anos de Brasília.

Então, dona Rafa: meu eterno agradecimento por me deixares entrar em sua vida. Que sejamos leoninas essenciais uma pra outra enquanto houver vida.

Amorrores.

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Arrupiando

Ainda na onda do amor… antes das 10h00 da manhã e já me subiu dois arrepios hoje.

1 – Tocou Tiny Dancer no rádio. Parabéns pra mim que não chorei ouvindo essa música hoje. Mas arrepiei pela primeira vez antes mesmo do “HOLD ME CLOSER TINY DAAAAAANCEEERR”. Thank you, Sir.

2 – Abri essa página ontem e não tinha lido ainda. Tome lá:

ANTONIO PRATA

Recordação
‘Não faz sentido, pra que que a pessoa quer gravar as coisas que não são da vida dela e as coisas que são, não?’

“Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado”, ele disse, me olhando pelo retrovisor. Fiquei sem reação: tinha pegado o táxi na Nove de Julho, o trânsito estava ruim, levamos meia hora para percorrer a Faria Lima e chegar à rua dos Pinheiros, tudo no mais asséptico silêncio, aí, então, ele me encara pelo espelhinho e, como se fosse a continuação de uma longa conversa, solta essa: “Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado”.

Meu espanto, contudo, não durou muito, pois ele logo emendou: “Nunca vou esquecer: 1º de junho de 1988. A gente se conheceu num barzinho, lá em Santos, e dali pra frente nunca ficou um dia sem se falar! Até que cinco anos atrás… Fazer o que, né? Se Deus quis assim…”.

Houve um breve silêncio, enquanto ultrapassávamos um caminhão de lixo e consegui encaixar um “Sinto muito”. “Obrigado. No começo foi complicado, agora tô me acostumando. Mas sabe que que é mais difícil? Não ter foto dela.” “Cê não tem nenhuma?” “Não, tenho foto, sim, eu até fiz um álbum, mas não tem foto dela fazendo as coisas dela, entendeu? Que nem: tem ela no casamento da nossa mais velha, toda arrumada. Mas ela não era daquele jeito, com penteado, com vestido. Sabe o jeito que eu mais lembro dela? De avental. Só que toda vez que tinha almoço lá em casa, festa e alguém aparecia com uma câmera na cozinha, ela tirava correndo o avental, ia arrumar o cabelo, até ficar de um jeito que não era ela. Tenho pensado muito nisso aí, das fotos, falo com os passageiros e tal e descobri que é assim, é do ser humano, mesmo. A pessoa, olha só, a pessoa trabalha todo dia numa firma, vamos dizer, todo dia ela vai lá e nunca tira uma foto da portaria, do bebedor, do banheiro, desses lugares que ela fica o tempo inteiro. Aí, num fim de semana ela vai pra uma praia qualquer, leva a câmera, o celular e tchuf, tchuf, tchuf. Não faz sentido, pra que que a pessoa quer gravar as coisas que não são da vida dela e as coisas que são, não? Tá acompanhando? Não tenho uma foto da minha esposa no sofá, assistindo novela, mas tem uma dela no jet ski do meu cunhado, lá na Guarapiranga. Entro aqui na Joaquim?” “Isso.”

“Ano passado me deu uma agonia, uma saudade, peguei o álbum, só tinha aqueles retratos de casório, de viagem, do jet ski, sabe o que eu fiz? Fui pra Santos. Sei lá, quis voltar naquele bar.” “E aí?!” “Aí que o bar tinha fechado em 94, mas o proprietário, um senhor de idade, ainda morava no imóvel. Eu expliquei a minha história, ele falou: Entra’. Foi lá num armário, trouxe uma caixa de sapatos e disse: É tudo foto do bar, pode escolher uma, leva de recordação’.”

Paramos num farol. Ele tirou a carteira do bolso, pegou a foto e me deu: umas 50 pessoas pelas mesas, mais umas tantas no balcão. “Olha a data aí no cantinho, embaixo.” “1º de junho de 1988?” “Pois é. Quando eu peguei essa foto e vi a data, nem acreditei, corri o olho pelas mesas, vendo se achava nós aí no meio, mas não. Todo dia eu olho essa foto e fico danado, pensando: será que a gente ainda vai chegar ou será que a gente já foi embora? Vou morrer com essa dúvida. De qualquer forma, taí o testemunho: foi nesse lugar, nesse dia, tá fazendo 25 anos, hoje. Ali do lado da banca, tá bom pra você?”

antonioprata.folha@uol.com.br

the chills
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Love, no matter what

A situação na Turquia me causou uma confusão mental, entre a beleza das pessoas comuns se sensibilizando e as imagens fortes de jovens mortos. Saiu no jornal a notícia de uma senhora, aqui em Brasília, que foi presa por agredir vendedores negros, e ainda tivemos um país criminalizando o casamento gay.

Pra mim sempre soou estranho dar os mesmos “direitos” humanos à pessoas que não o ferem em sua raiz, que é o respeito ao próximo. Se alguém tira a vida de uma pessoa em um surto de selvageria, que como selvagem seja tratado. É uma posição radical, eu sei, mas minha mente ainda não conseguiu um argumento forte o suficiente pra mudar isso minha opinião (porém percebo que não desenvolvo muito o raciocínio porque me sinto cruel demais depois de certo ponto. Deixo isso aos menos sensíveis).

Direitos humanos. Falei em respeito, certo? Porém, hoje assisti a um vídeo que me comoveu a ponto de me arrancar lágrimas algumas vezes em vinte e poucos minutos, e resolvi mudar meu discurso. Minhas frases clichê hippie-zen já continham “Mais amor por favor”, “O amor é o caminho, a verdade e a vida” (essa tatuada no braço), “Amar a todos, confiar nos seus”, entre outras. O entendimento e a intensidade desses dizeres ganharam basicamente mais intensidade e importância.

Ainda essa semana, conversando com um amigo que está passando por problemas de relacionamento, eu mencionei como é importante termos cuidado, respeito e empatia por aqueles que amamos mais: nossos companheiros e família. No mesmo dia, uma amiga pede uma força, pra eu participar de uma campanha de dia dos namorados, declarando meu amor no Facebook (criei o link http://tinyurl.com/clicaecurteplz pra fazer campanha, estejam à vontade pra reforçar, hshshs) e como em todas as vezes que parei pra escrever sobre meu maridón, me deu aquele calorzinho no coração, um orgulho de ter alguém que compartilha meus ideais, que se também se importa com o bem-estar alheio e que me faz tão bem!

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E assim, fazendo mini preces de gratidão ao cosmos, é que me vi numa imensidão de good vibes: eu também estou trabalhando numa campanha fofíssima para o dia dos namorados, e estamos captando histórias de amor. Todos os dias eu tenho acesso à algumas histórias de pessoas apaixonadas, que escrevem de coração sobre seus amados e as situações inusitadas que as fizeram chegar onde estão. É uma onda deliciosa, que tem me enchido de orgulho e esperança, que meus projetos estão dando certo e que esse mundo tem jeito sim :)

Continuarei dando crises de riso, enviando corações nas mensagens instantâneas, abraçando os amigos e dispersando parte dessa bola de amor que estou sentindo.

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O canto dessa cidade é meeeeeu

No meio de um turbilhão de ações anti-Feliciano (que não me representa) e pró união homoafetiva, resolvi comentar e fazer uma piadinha aproveitando o assunto do dia: Daniela Mercury saindo do armário. Pois bem, minhas palavras foram exatamente:

trending today: Daniela Mercury. Atitude sensacional, curto muito, tô agradecida pela exposição de um amor tão lindo. Agora alguém tira “a cor dessa cidade” da minha cabeça? :~

Pois bem. Qual não foi a minha surpresa quando fui repreendida por ter dito isso. Recebi um veemente e rancoroso “O que você quer dizer com isso?” seguido de um yada-yada que me desencadeou uma enxaqueca. Nessa hora eu percebo o quanto o mundo é bonito na minha cabeça, e o quanto as pessoas que nem imaginamos estão recheadas de pensamentos retrógrados e preconceito.

Eu bem desde sempre acredito que desde que o mundo é mundo existem gays, lésbicas e intolerância. E acredito que amor não traz mal a ninguém. O fato é que venho de uma família mineira, do interior, onde o tradicionalismo e o conservadorismo são o padrão esperado. Talvez seja por isso que passei tantos anos da minha vida sendo introvertida, caladinha e me questionando se meu jeito estava certo. Veja bem: não sou lésbica, não sou contraventora, nem artista, rs… Casei, penso em constituir família, gosto de trabalhar em horário comercial, pago minhas contas e não sou a favor de passar os outros pra trás em benefício próprio. Mas isso não é o suficiente pra não horrorizar as Joelmas da vida. Eu também devo evitar emitir minha opinião libertária, de quem não se ofende e torce pela felicidade alheia.

Na minha humilde opinião, pecado é fazer mal ao outro ou a si mesmo. E por mais que a dualidade do certo e errado seja relativa eu continuo me surpreendendo pelo fato das pessoas se irritarem com o diferente de si mesmo. Afinal, se as pessoas se amam desde que o mundo é mundo independentemente de seus gêneros, pra que deixar a invenção humana da intolerância trazer rancor pras nossas vidas? Que bobagem… Isso não é errado? hshshs

Mesmo vendo todas as curtidas do meu post, vindos de “gente de bem” senti a necessidade de me explicar:

A quem possa interessar, ainda sou hétero, casadíssima e torço por um mundo com mais amor e respeito. Pra quem riu da minha piada meu beijo, pra quem se ofende com a opinião alheia meus votos de felicidade e tolerância =)

Pela alegria retratada nas fotos eu duvido que Daniela Mercury tá enchendo o saco de alguém que tem a opinião diferente da dela.

Post de quem hoje descobriu que “mais amor, por favor” é altamente transgressor |_|

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