encontros

Há dois meses eu me emocionei com o texto que replico abaixo. Denise, uma amiga de internet de longa data estava prestes a ter seu segundo bebê.

Ontem eu a vi pessoalmente pela primeira vez. Tive a honra de conhecer os dois pequenos e o enteado, e o prazer de ser recebida por eles na nossa primeira visita à Berlim.

Foi um breve passeio, se é que podemos chamar um traslado assim, rs. Mas foi bom, acolhedor e simples, como a humanidade pede.

São momentos leves, doces e pequenos atos de generosidade como este que me fazem apreciar as amizades que cultivo na vida. Digo sempre: Amigo é melhor que dinheiro, minha gente.

E ver os amigos felizes é ainda melhor.

Gratidão, Denise Emmermacher.

“Meu filho,

Está chegando a hora de você botar a cara no mundo. Ainda muito longe da sua independência de mim e do seu pai, mas é a nossa primeira separação. Entre eu e você.

Preciso te alertar que as coisas aqui não são fáceis. Peço desculpas, a princípio, por nem sempre estar bem e você ainda sente tudo que sinto. Estou postando esta música pra você. Pra que você saiba que estou sempre rezando por você. Que quando você vier será um ser tão puro que não vai precisar ainda rezar. Mas com o tempo talvez deixe algumas coisas entrarem dentro de você e aqui vai meu primeiro conselho: a oração faz a gente voltar ao estado inicial. Restitui tudo o que éramos antes. Tenho minhas dúvidas se algum dia a gente deixa de sentir nossas mães, então se algum dia você sentir que eu preciso ore por mim também. Ou pelo menos emane boas energias, será um bom começo.

Hoje sonhei com uma família de gorilas. Estavam subindo num penhasco e de repente a gorila mãe pariu lá do alto. O bebê caiu do penhasco, mas continuou vivo. Ele era diferente do resto, tinha traços humanos. Será que era você, meu filho? Estamos precisando disso: bebês com traços humanos.

Depois escreverei mais cartas. A próxima será pra sua irmã.

Um beijo,
Mamãe”

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dezenove

Há dois meses eu fiz dois textos a respeito das palavras que Luiza vinha descobrindo. Agora a coisiquinha disparou. As palavrinhas que ela diz a cada dia se aproximam mais das que eu mesma digo. A evolução dos sons e significados vem à galope, e meu coração se enche de orgulho e de saudade daquele bebê que balbuciava sonzinhos miúdos com 70 dias.

Cacaluda (tartaruga) e elipote (elefante) são as minhas favoritas do momento. Mas eu quase derreto quando ela diz “boboleta” ou entrego um copo dágua ou três pedaços de carne e ela fala um “bigado” pra cada vez. Essa coisa de ser mãe trabalhante deixa a gente meio sem saber de onde vieram as expressões. O “oba nananam” sabemos que vem da escola. Batucar falando “batum batum batum” é sobre a música que diz tumbalacatumba – a Galinha Pintadinha nos pegou.

No dia a dia, tento manter um diálogo pra tentar acompanhar o nível de auto-expressão dela. Sempre mostro duas fraldas e digo “quer colocar a azul ou a amarela?”. Até algumas semanas atrás ela apontava pra que queria. Até a semana passada ela escolhia uma das duas. Hoje ela me pede uma terceira opção, “bêdi” (verde)!

Sempre deixei os sapatos ao alcance dela, e sempre estimulei que ela escolhesse o par que vai usar no dia. A brincadeira deu super certo, ela quase nunca repete o mesmo par e pega só o que vai usar. Hoje quando terminei de por a roupinha eu a coloquei no chão e disse “pronto, filhota. Pode escolher seu sapatinho”. Ela foi em direção ao armário (que ela consegue abrir sozinha) e abriu as portas cantarolando “lalalala hey, lalalala hey, lalalala hey”! A ~serumaninha~ virou gente.

A sapequice fica cada vez mais evidente. Logo pela manhã ela rabiscou o armário da vó com giz de cera. Eu falei BEM séria “filha, isso não se faz, a gente só pode colorir o papel, que por isso que mamãe dá os livros de colorir…” e ela bem séria com uma carinha impagável, escutando a “bronca” da mãe e olhando o pai limpar a bagunça. Eu não me aguentei e disse “amor, olha a cara da sua filha me ouvindo”… quando ele virou pra trás pra olhar ela deu uma risada danada, uma dançadinha e mostrou a língua. A vontade de perder a seriedade é incontrolável!

19 meses e um baita salto de desenvolvimento. Tá aí nossa meninoca fazendo bagunça e curtindo a vida. Que Deus me permita por muito tempo acompanhar e sentir tanta alegria.

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Amamentação Prolongada

Quando estava grávida eu entendia que o hábito da mamadeira seria necessário na minha rotina. Meu trabalho não poderia parar: eu passei a vida adulta inteira (até o momento) me entendendo melhor como profissional do que como serumano. É minha terapia, onde faço a minha energia fluir e girar, me sinto útil, me adequo e cresço de forma gratificante.

Eu havia comprado mamadeiras maravilhosas anti refluxo, de vidro, super resistentes e bem recomendadas. Quando ela nasceu eu tirava 10-15 ml do meu leite e colocava na mamadeira pro pai dar pra ela. Foram 3 ou 4 vezes, até que um dia ele passou pro time de (inúmeras) pessoas que nos dizia pra não oferecer mamadeira. Foi tenso. Foi triste quando eu fui trabalhar quando Luiza tinha 4-5 meses de vida e ela não sabia usar/não queria a mamadeira com meu leite. Não queria meu leite congelado, nem fresco, nem no copo, nem na colher.

Entre os 4 e os 7 meses da Luiza eu sofria em todas as pesagens. O pediatra pediu que eu tentasse dar o leite artificial enquanto eu doava leite pro banco; muito leite. E Luiza se interessava cada vez mais pelo mundo, mamava apenas o suficiente, não ganhava peso como o padrão determinava enquanto eu doava e me remoía por… por tudo? Acho que por tudo.

Com o tempo eu passei a me forçar a entender que Luiza é Luiza, e não necessariamente é o bebê modelo do ganho de peso e dos hábitos alimentares. Eu li muitos artigos e opiniões de especialistas da amamentação, autores de todo o mundo. Com 10 meses, durante uma viagem ao RJ, ela passou 2 dias sem comer, mas mamando. Achei, na ocasião, duas leituras que me apaziguaram: diziam que o bebê amamentado pelo leite materno tem garantidos todos os nutrientes necessários até seus 18 meses. Ou mais, ou menos, pois cada bebê é único.

Eu entendi que minha função como mãe é oferecer o almoço, as frutas, o café da manhã, apresentar os alimentos. Comê-los ou não cabe somente à ela, felizmente ou não.

Pensei em amamentar até um ano. Luiza fez um ano no dia 30/11/15 e dois dias depois começaram a nascer seus primeiros dentes. E ela, que estava começando a comer melhor, desandou. “Só mais um pouco”, pensei. Com 15 meses Luiza se despediu da babá que cuidou dela desde os 4 meses. Com 16 meses foi pra escolinha. Com 17 meses mudou de casa. “Ela não merece lidar com a ‘perda’ do mamá concomitante a tudo isso”, pensei.

Aqui estamos, 18 meses de amamentação. Não é mais uma livre demanda, há tempos ela só tem por hábito o mamá da noite. Normalmente se ela pede fora do “horário” eu mudo o foco, ofereço água, ofereço comida. Se for sono nenhuma das opções serve, e ela mama alguns minutos até adormecer.

De repente um dente mais chatinho, um resfriado, e me vejo faltando o trabalho – uma das únicas vezes na vida – pelo fato de ter uma pequena febril, chamando mamãe e mamando interruptamente. Por fome, sede, alívio, carência, manha, pertencimento e amor. Passei o dia com ela, com poucos instantes perto do computador pra resolver o que não podia esperar.

A impaciência dá espaço a uma imensa gratidão por ainda ter esse privilégio de amamentar. A sensação de que a pequena continua pequena, mas que em breve não o será. Meu amor é dela, meu colo é dela, minhas intenções são pra ela. A amamentação é um trabalho árduo, exige paciência, tem picos de estresse e pode ser, dentro de toda a minha experiência de vida, o meu trabalho mais gratificante – até o momento.

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Os novos anos 70.

Ontem meu Spotify me mandou uma música da Alanis Morissette, que era a coisa menos rock’n’roll que eu ouvia em 1996, hahaha*. Agora tá fazendo sentido essa história de que eu tô ficando velha e que os anos 90 são os novos 70.

Em homenagem ao tempo eu estou revisitando o Jagged Little Pill e orgulhosa de entender every little word she says, uma vez que naquela época eu mal mal entendia os arranjos. Era só uma garota maneira que cantava músicas legais – as vezes de forma irritante. Eu ainda gosto, é uma nostalgia linda!

O tempo passa rápido demais, vejo isso diariamente com um bebê em casa. Mas 1990 parece ter acontecido não em outro século, mas em outra vida. Daquela época a única saudade que tenho é de mais momentos em família, dos meus primos frequentemente reunidos, geralmente não pra fazer nada que prestasse. Mas a juventude é pra isso, certo?

1996
Ainda bem que o tempo passa.

*Isso é mentira. Cantei muito pagode em 1996.

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Expectativa

Eu acredito nas pessoas e no que elas querem passar pra mim. E acredito mais ainda que elas são imperfeitas, mas num sentido muito amplo. São erradas. Como eu.

Acredito que ninguém dá tudo de si pra ser errado. É uma questão de vivência e aperfeiçoamento. Elas acham que estão certas até se convencerem do contrário, mas esse processo é extremamente pessoal, não faz parte do meu mundo… Isso me facilita a aceitação, o perdão, a convivência, inclusive comigo mesma.

[Vale lembrar que, pra mim, certo e errado são relativos e pessoais. O julgamento apenas depende de uma convergência ou divergência de valores]

Todos estamos numa grande viagem, num estado leve (ou não) de paranóia, perturbação ou equívoco. Resolvi muita coisa da minha vida e dos meus relacionamentos interpessoais tratando os seres humanos como pessoas cruas, cheias de defeitos mas acreditando que eles, como eu, estão nessa vida pra aprender/melhorar.

Eu acredito veementemente que, até quem é “ruim”, acha que está fazendo coisa boa. Não faz sentido no meu coração o lance de vingança, de crueldade… fazer o mal pra alguém é fora do meu escopo de entendimento. E no fim, na minha crença, o mal volta. Quem planta banana não colhe tomate. Então é preciso ressignificar.

Quando vejo alguém que está muito longe da realidade e ainda bate muito a cabeça, se prejudicando ou prejudicando os outros – tenho a necessidade de me afastar, por auto proteção. Pelo menos até que eu consiga lidar melhor com a “maldade” (relativa) da pessoa.

paraóia

Lição de vida:
1 – Cuidar de si mesmo antes de cuidar dos outros;
2 – Confiar em si e na natureza (AKA Deus).

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Aprendizado

Pela manhã:
Embaixo do pé de limão:
– Lelê.
– É o limão, filha!
– Lelê!
– Filha, fala: Li-mão.
– LÊLÊ!! (em tom nervoso, como quem diz “é exatamente o que estou dizendo).

Instantes depois ela soltou um ~Lêmão~
Mas foi só um por enquanto.

Logo mais…
– Olha, filha. O limão é verde.
– Bedi.
– É. (mostrando uns brinquedos) E isso daqui é vermelho, amarelo, branco e azul.
– Azuda (ajuda).

Gar.ga.lhan.do.

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Vocabulário 2

Luiza começou a chamar a Margot de “Mambô”. Procura a Mambô embaixo do bloco e pela casa, falando “Dê?” com as palminhas das mãos pra cima, em gesto de questionamento.

Fomos pra São Paulo comemorar o aniversário da uouó – e ela amou todas as vezes que cantamos parabéns. Lá o priminho tem um puf em forma de bola de futebol, e como ela chamava este objeto? Mambó. Passa-se uma semana e eu digo pra ela “filha, olha ali uMA-BÓla. Ela repete na mesma hora “Mambóoo”, e resolvo o mistério; é uma bola, gente. Quando é pra falar só “bola” ela diz “bó”.

Ainda em SP, abri a mala e ela percebeu que ali estava o Golias, um elefantinho que toca músicas de ninar com quem Luiza dorme desde 1 mês de idade. A alegria em ver o amigo foi tanta que ela vibrou: “Lili! Lili! Lili!” pegou o bonequinho, deu um beijo e um abraço tão apertado que precisou até fechar os olhos – ela costuma dar esses abraços no bom-dia. No dia seguinte ela fez um upgrade de fonemas quando a vó chamou pelo seu nome, e repetiu diversas vezes o “Luí”.

Ainda nos Ls, Luiza chama o pintinho amareLInho e a gaLInha pintadinha de Li. Mas o pintinho ela chama apontando o dedinho indicador pra palma da mão, em referência à coreografia da música, que desconfio que seja a preferida dela. Quando ela vê que eu troquei de brinco ela aponta e diz Linn’a. As árvores também são lindas. Curiosidade: Luiza faz carinho nas folhas e destrói as flores arrancando pétala por pétala, as vezes colocando os pedacinhos no próprio cabelo, ou no meu.

Alguns dos seus brinquedos favoritos são: Nuná (Luna), Liss (Golias), Tatá (Patati), Píipi (Frida) e a Lulu (Coruja). Recentemente ela aprendeu a pedir ajuda (dudu?) quando se vê em alguma enrascada. O colo ela pede “ném, ném, ném, ném” agarrada às minhas pernas e dando saltinhos que acompanham o ritmo das sílabas, repetitivas como um alarme de incêndio. Já mencionei que ela me parece muito decidida?

As frutas são: lalá (laranja), tatá (abacate), mamão (mamão), mamão (limão), mamão (morango) e mamão (maçã). Mas ela gosta mesmo é de pum (pão), têj (queijo) e iogurte (tutu). Hoje de manhã eu dei um pedaço do meu pão pra ela e saí de perto, ela veio atrás de mim e disse “mais pum”, eu tenho vontade de rir até explodir!

Os fonemas vão se multiplicando, e não consigo acompanhar todos os significados por enquanto. Me controlo pra não corrigir, nem repetir, nem desfalecer de tanto rir, e assim deixá-la no curso natural do aprendizado, com a fofura extrema que acompanha o processo.

Luiiiii

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Vocabulário 1

Comecei esse post algumas vezes. Cada vez que começo eu penso que não me lembrei de tudo e acabo desistindo pra fazer novamente num momento mais tranquilo. Mas tempo não pára, tampouco a pequena. Começo, portanto, um post que pode – ou não – ter sequência.

1 ano e 4 meses aqui. A comunicação cada dia mais afiada, ainda longe de sair do ~bebenhês~.

Há 3 semanas, quando ela via algo que queria comer ou beber, ela dizia “má”. Em uma semana passou a dizer “mai”. Agora fala um “maishh”, firme e cheio de certeza. E não é só pra comer. Seja pra guagua (água) ou pra pupu (pula-pula), ela sabe muito bem o que quer e sabe que estamos a entendendo.

Há um tempo ela aprendeu a apontar e dizer “esss” (esse). Eu, as vezes apressada e levemente nervosa respondia “esse qual, Luiza?”. Resultado, já faz algum tempo que ela não fala “essss” mais. Ela aponta pro que quer dizendo “qual?”. E o qual cada vez mais perfeitinho. Agora eu voltei atrás, respondo “qual, Luiza? Esse ou esse?”, mas ela ainda responde “na-não” ou “qual”.

Luiza fez um ano chamando o papai de “mamãe”. Era fofíssimo vê-la dizer “bô, mamãi” quando ele saía. Agora ela fala “papai”. E o termo serve tanto para designar o papai quanto sapatos, chapéus (qualquer item de por na cabeça) ou a Pepa Pig. Ela vê minha touca de hidratação e sorri dizendo “papai mamãi”. Sim, é o chapéu da mamãe. Papai papai podem ser os sapatos do papai.

“Uouô” é outro coringa. Serve pra alô, vovó ou vovô. Ela fala muitos uouô com o telefone na orelha, mas ultimamente termina com bê-tau (beijo tchau).

Semana passada ela olhava pra mim dizendo “nonô”. Eu não fazia idéia do que poderia ser nonô, mas era um pedido firme, apontando, gesticulando. Eu desviava a atenção, levemente frustrada. Essa semana ficou claro: Nonô é ela pedindo pra assistir desenho. Nonô, simples assim.

Cacá é o macaco. Lulu é a coruja. Uauá o cachorro. Quaqua é o Pato. Cocó são os pombos (?). Nhamm é um “miau”, mas serve pra gato, tigre, onça, o felino que for. Menos o leão. Recentemente eu percebi que ela fala Pechhhh quando vê um peixe nos livrinhos. Mas o que me intriga é que todos os elefantes que ela reconhece são agraciados por um tom de comemoração: “tutu!!”

uma roupinha japonesa com cinto de "tutu"
uma roupinha japonesa com cinto de “tutu”

(continua…)

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