Dois lados de uma mesma moeda

PRIMEIRO ATO

Ontem fomos ao Jungenamt atrás do Kita Gutschein pra podermos colocar Luiza no KiTa.

(Viram como eu disse ali umas palavras que só fazem sentido aqui? Pois é, essa é minha esperança. Eu vou aprender alemão, aguarde e confie)

O Jungenamt é o nosso juizado de menores e, ao contrário do Brasil, pra matricular um filho na escolinha (Kita) devemos ter uma “autorização” – literalmente um voucher (Gutschein) – dizendo por quantas horas você pode deixá-lo lá. Posso estar perdendo alguns pontos da explicação, mas basicamente é isso.

Daí uma amiga me ajudou preenchendo os documentos online e eu reuni todos os dados necessários (registro de residência na cidade, cópias de passaporte e matrícula no curso de alemão – ainda faltou o documento que comprova o trabalho do Fabricio). Sim, amigos, estamos num país extremamente burocrático. A diferença é que aqui a burocracia não é redundante, ela é extensa porém direta.

Enfim, depois de um grande esforço pra entender onde era o local onde eu deveria entregar a documentação, jogamos o endereço no Google Maps nosso mais fiel escudeiro e tomamos dois ônibus até lá. Chegamos cerca de 20 min antes do fim do horário de atendimento. No primeiro ponto eu perguntei se podia falar inglês, o rapaz me respondeu que não – em alemão, claro. Apontei pro documento que eu tinha em mãos e ele me respondeu em inglês pra eu ir até o Infopoint.

Sim, eles me parecem confusos às vezes.

No Infopoint, que era bem na porta desse prédio gigante e lindo – que eu me arrependo no momento por não ter fotografado, mas o farei em breve – eu fiquei esperando até que algum dos dois pontos de atendimento vagassem. Porque já aprendi aqui que você aborda o atendente, e não o contrário.

Neste momento, meus amigos, algo muito emocionante me aconteceu: eu proferi meia dúzia de palavras em alemão e… ELA ME ENTENDEU! (inserir fogos de artifício aqui) Eu tive muito orgulho de mim por ter conseguido me comunicar. Mas obviamente não entendi praticamente nada do que ela me disse. Só post e haus, logo eu soube que me mandariam o que quer que fosse pelo correio. Claro, fiquei insegura e pedi minha amiga pra perguntar se era isso mesmo pelo áudio do whatsapp, que eu mostrei pra tia e mandei outro de volta com a resposta pra ela me confirmar.

Resultado: funcionou. Preciso voltar lá pra terminar de entregar a documentação, mas o processo está encaminhado.

SEGUNDO ATO

No Kita, preenchendo o papel de requerimento de vaga (sim, porque não basta o voucher, você ainda luta até conseguir uma vaga).

Atendente: Endereço?
Cintia: Merseburger strasse
A: Bitte?
C: Merseburger strasse
A: Sorry, I don’t get it.
C: Merseburger strasse. Let me show you (e abro o Google Maps mostrando o nome da rua)
A: Ah, ok. Merseburger strasse.
C: Como vocês pronunciam em alemão?
A: Merseburger strasse.
(este diálogo aconteceu em inglês)

Eu juro que falei a mesma coisa que ouvi. Juro. Ela só disse mais devagar. Tem alguma coisa muito errada.

Sim, às vezes eu pareço confusa pra eles.

E a aventura continua.

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toc toc toc

Eu já disse que nossa chegada tem sido suave?

Gente, nenhuma expatriação é serena. Nem as mais suaves. Ela tem sido relativamente branda, agraciada pelo humor da Luiza que ama “todo mundo” (segundo ela mesma) e por diversos anjos sem asas que Deus nos enviou em forma de amigos. Mas a gente estranha, né? Acho que é isso, deve ser um estranhamento.

Eu sempre agradeço pelos desafios que tenho pela frente. Costumo dizer que foco num problema de médio prazo de solução pra ir direcionando minha energia de forma otimizada e ir calculando o tempo das coisas. Mas na verdade é só um jeito de diminuir a ansiedade, já que a vida é essa sequência doida de coisas a serem resolvidas com breves momentos de relaxamento entre eles.

E falando em ansiedade, na semana passada eu dei uma piradinha. Foram 3 dias de muita ansiedade coroados por TOC. Não foi nem perto das grandes crises que já tive na vida – pudera, depois de tanto tempo, esforço, tratamento, auto conhecimento, conexão espiritual… as coisas mudam. Amém.

De um instante pra outro voltei a sentir aqueles impasses desconexos, necessidade de ordenar as coisas, cores e posições, incômodo com as texturas e os cheiros e meus dias ficaram repletos de pequenos rituais com intuito de ordem, porém causando um caos absoluto. A angústia de ter sintomas dos quais me livrei há tanto tempo misturada à certeza de que isso não me pertence e um vestígio de medo daquilo não ir embora. Mas foi. Ufa.

Lembrei das amigas dizendo que quando “a ficha caísse” eu poderia me sentir abalada. Mas sendo isto uma certeza, eu acredito que estou bem preparada pra instabilidade, pra saudade, pros choros, pra reclamar do frio… A mudança de continente está sendo guiada por um sentimento de plenitude e pela vontade do desafio. Não apenas pelo bom, mas pela aceitação de que o difícil não é ruim.

Enfim, ainda consternada eu conversei com algumas outras mães que saíram do país e que também passam pelos desafios que tenho encontrado, falei com meu amado primo que é psiquiatra, fiz listas mentais e físicas, resolvi fazer o avesso do que meu instinto me pedia… e dois dias depois o incômodo cessou.

Tenho uma leve sensação de que pode ter sido algo que me surgiu por um motivo hormonal, dentre outros tantos motivos. E mesmo sem ter a menor idéia da razão eu tenho a certeza de que essa assombração de transtorno me apareceu pra eu me cuidar. Pra ter cautela, buscar saúde e ser empática com as pessoas que piram longe de casa. Porque nossa casa quem identifica é o coração – e o meu identificou essa daqui. Só que colo de mãe, casa de vó e risada com os amigos são minha casa, tanto quanto esse chão que piso.

A distância as vezes se transforma em sintomas ingratos. Que demorem a voltar e sejam cada vez mais breves.

E que a temporada de visitas comece logo!

fonte: http://www.hypeness.com.br/2015/05/artista-mostra-em-12-retratos-emocionantes-a-luta-diaria-que-trava-entre-a-depressao-e-a-ansiedade/
“Um copo d’água não é pesado. Você quase não percebe quando precisa segurar um. Mas e se você não pudesse esvaziá-lo ou colocá-lo na mesa? E se você precisasse segurar seu peso por dias… meses… anos? O peso não muda, mas o fardo sim. Em um certo ponto, você não consegue se lembrar o quão leve ele era. Às vezes é necessário dar tudo de si para fingir que ele não está lá. E às vezes, tudo o que você precisa fazer é deixá-lo cair.”
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O vazio de um ano cheio

É estranha a sensação de que meu ano passou de certa forma em branco, e ao mesmo tempo foi o ano mais cheio da minha vida. Não vi muitos filmes, li pouco, estudei menos ainda. Vivi o agora como nunca, pura e simplesmente por necessidade – e as vezes por falta de entendimento. Estive por muito tempo dentro de uma bolha, na qual nem minha essência tinha vez. Acho que só quem se torna mãe pode entender parte do que senti, e não necessariamente todas as mães. Eu um dia virei mãe de alguém sem sequer ter sido mãe das minhas raras bonecas. Me vi amamentando e vendo crescer um pequeno ser, sem jamais ter sonhado com a situação. Passei por um puerpério que até eu mesma duvido do quanto foi fácil e prazeroso.

Enquanto vi dia após dia o milagre da vida na minha frente, um amor que não se mede aprendendo ~a tudo~ from the scratch, comecei a perceber que não me reconhecia mais. Não sabia quem era, e não sabia me gostar. Comecei a ter uma organização de pensamentos que não se parecem com o que sempre entendi como minha, as etapas dos processos se confundiam, a gestão do tempo passou a ser impossível.

Aprendi a amar Luiza, admirar Luiza, querer Luiza e respeitar o tempo de Luiza. Só o tempo da Luiza.

Mas levei algum tempo pra entender que Luiza é um fruto do que eu sou, do que fui, e graças a mim (e ao marido) tenho ela pra me trazer um sentido muito mais forte e visceral pra vida. Sou mamãe de alguém que tem nome, personalidade, faz graça de graça e me ama. É muito menos amedrontador do que me pareceu assim que ela foi descoberta na minha barriga. E sim, é extremamente prazeroso. O difícil não foi cuidar dela, mas sim cuidar de tudo que a modernidade exige que cuidemos, entender que as outras coisas também são importantes, embora parecessem vazias perto do sorrisão que só ela dá.

Foram alguns meses buscando um meio termo entre a vontade de me fazer útil, a falta de uma função específica – e profissionalmente construtiva – e a loop infindável de funções da maternagem. Um ano se passou, e no decorrer, meus pensamentos conseguiram se encaixar novamente no fluxo normal (?), concomitante às ondas enluizadas, e com leves e inofensivas intervenções de Luiza.

Ao me tornar mãe, aquele amor explosivo me partiu em mil pedaços. A função de unir os cacos e entender o que era esse quebra-cabeças foi das mais árduas que posso imaginar. E como tudo que fazemos com amor, empenho e esforço me tornou uma pessoa melhor em resiliência, gratidão, consciência e doação. E talvez em muito mais coisas que ainda não percebi. Não me reconheci imediatamente, porque hoje tenho outra força dentro de mim, que de alguma forma foi substituiu a simplicidade que eu tinha em permanecer apenas na autenticidade do meu – outrora pequeno – EU.
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E foi assim… (Parte 3: Relato de Parto)

Cheguei à 35.a semana com diversas dores e contrações de treinamento que vinham de forma ritmada, trazendo a sensação de trabalho de parto – os famosos alarmes falsos. Assim, tive avaliações constantes. Na 36.a semana estava com 1cm de dilatação. Na 37.a tinha “quase” dois. Na 38.a o médico disse que talvez não passássemos das 39 semanas. Com 39 semanas e 3 dias, no dia 28/11, sexta-feira – meu aniversário de 5 anos de casamento – tive uma consulta, em que o médico me disse que estava com 3cm. Saí de lá com a sensação de que Luiza só resolveria nascer às vésperas do Natal.
No sábado passamos um dia super tranquilo em casa. À noite a mexeção dentro da barriga bateu forte, não sabia se era uma festa de despedida ou um sinal de que as coisas iam muito bem por ali. Fomos dormir cedo. Às 2h30am do domingo eu acordei o marido durante uma contração “diferente” e disse que ela nasceria naquele mesmo dia.
Como mãe de primeira viagem, assim que comecei a sentir as primeiras contrações por volta das 8h30 da manhã, imaginei que teria todo um dia pela frente, esperando o trabalho de parto se desenvolver. Pensei nas caminhadas que teria que fazer pra ajudar na dilatação. Resolvi tomar um banho quente, seguindo o meu manual de instruções mental. Foi aí que comecei a me desorientar. Não consegui tomar banho, não conseguia medir o tempo entre as contrações, não conseguia ligar pro médico nem pro marido que tinha saído pra comprar um remédio pra mim… as contrações estavam muito próximas uma da outra e super intensas. BEM intensas.
Fabrício chegou e ligou pro médico, que pediu a ele que me desse um Buscopan e aguardasse por 1h para ver se teríamos melhora ou se iríamos para a Maternidade. Cerca de 15 minutos depois eu já estava com dores muito mais fortes, suando, pedindo pelamordedeus pra ele ligar novamente pro médico explicando que não ia dar pra esperar e eu queria uma anestesia urgente-aqui-agora! Assim ele resolveu ligar pra Natacha, minha fisioterapeuta que esteve me acompanhando nas últimas semanas, imaginando que ela poderia fazer algo que aliviasse a dor.
Ela chegou, passou a acompanhar o processo me ajudando a ficar mais confortável e a tal hora se passou. Nada estava sendo parecido com o que eu havia imaginado. Na minha ideia eu chamaria a Doula, conversaríamos, faríamos massagem, depois chamaria a fisioterapeuta já com um quadro mais avançado, faríamos alongamentos pra só depois chegar ao ponto de chamar o médico e ir pra maternidade… Ao invés disso eu estava ali entre gritos desesperados, impressionada com a dor! Era uma intensidade tão absurda e as contrações tão próximas que eu não conseguia conceber o fato de que teria que me deslocar até a sala – quanto mais até o hospital!
Quando consegui sair do quarto a bolsa se rompeu. Era quase 11h da manhã. Tive a impressão de que, apesar de mais constante, a dor intensa era mais breve. Dava pra sobreviver me mover. De alguma forma a iminência da dor intercalada com o ápice eram bem piores do que a constante.
Partimos instantes depois pro hospital. Mala, bola de pilates, contrações e aquela vontade inexplicável de fazer força, que eu tanto ouvi dizer nos depoimentos alheios. A Natacha me orientou que tentasse controlar a força antes da avaliação médica… haja auto controle!
Ao chegarmos à recepção notei a espera cheia de gestantes. Enquanto esperava mais uma contração cessar pra me levantar do carro, Fabrício disse à recepcionista que estávamos com o quarto humanizado reservado, aguardando o médico e com a bolsa já rompida. Ela o instruiu a pegar uma senha preferencial, e ele veio me contar com uma expressão mista de medo e incredulidade, rs… Me levantei do carro e entrei na maternidade pronta pra questionar o critério de “prioritário” num ambiente onde só existem gestantes, mas antes de abrir a boca chegou outra contração e um rapaz (também com expressão de medo) me ofereceu o lugar pra sentar. Tudo o que consegui dizer foi “NÃÃÃÃÃÃOOOO” e debruçar na pilastra mais próxima.
Ali permaneci gritando perguntando se iam me deixar ali mesmo até que me passaram pra dentro da sala de avaliação. A médica plantonista disse que estava com 10cm e já estava nascendo, perguntou se eu preferia ficar ali ou ir pra sala de parto no centro cirúrgico, pois a sala de parto humanizado estava reservada pro meu médico que estava atrasado. (Vou pular a parte do quanto ela foi mal humorada, irritante e dispensável)
Eu na posição horrorosa com as pernas pra cima na sala de parto e meu médico magicamente apareceu, me mandou descer da mesa, pediu pra buscarem a banqueta na sala humanizada, desligou o ar condicionado e boa parte das luzes e ainda pôs uma musiquinha me perguntando se eu queria escolher o que ouvir, rs.
Ali eu finalmente me senti confortável, tranqüila e em paz. Apesar do desespero que bateu quando ele disse que normalmente o expulsivo pode levar de 3 a 6 horas na primeira vez.
Mas Luiza tinha pressa, veio em mais ou menos 40min. Linda, perfeitinha, toda inchada e torta, roxinha e com um semblante tranquilo, ela veio direto pro meu peito. Não chorou! Papai disse com ela emaranhada nos nossos braços: “filha, você não vai chorar?”, e foi prontamente respondido por um breve e doce “nhé”!
Pesou, mediu, mamou e não houve nenhum procedimento que não autorizamos. E como de praxe, depois da passagem dela não senti mais nenhuma dor, apenas a euforia de ter minha filha entre nós! A euforia beirou o desorientamento, passei o dia abobada, falando pelos cotovelos e impressionada com a criaturinha que esteve todo esse tempo me acompanhando silenciosa, que agora soltava “miadinhos” e trazia tanta alegria ao mundo externo!
No dia seguinte, exatamente 24h depois de entrarmos no quarto da maternidade com a Luiza, estávamos a caminho de casa, com um bichinho pequeno, saudável e fofo num macacão vermelho, pra trazer sorte. O início de uma nova vida pra nossa pequena e linda família.

Importante: Nesse momento uma das coisas que mais me tocou foi a reação dos amigos – felicitações lindas, sinceras e emocionantes. Que Deus abençoe cada um :*

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Conquista, pisc pisc.

Foi aniversario de uma das pessoas mais sensacionais que o universo me trouxe nesses anos de Brasília.

Então, dona Rafa: meu eterno agradecimento por me deixares entrar em sua vida. Que sejamos leoninas essenciais uma pra outra enquanto houver vida.

Amorrores.

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O paradoxo da escolha

Quando era criança eu gostava de matemática e de português. Quando me mudei pra Brasília aos 14 anos, vi na mudança uma possibilidade de aumentar minhas chances de trocar dos dedos de prosa com qualquer pessoa que eu quisesse, sem medo de julgamentos. Como explicar isso? Vi no carinho dos colegas que se despediram em BH, um incentivo pra explorar melhor o meu “eu”, e desde então eu as vezes me pego a cuidar da minha imagem – ironicamente pra ser o mais autêntica e despretensiosa possível.

Aos poucos fui me desvencilhando do que me era esperado, e talvez tenha tomado decisões não tão corretas, prezando pelo meu apreço à contradição. Os professores no terceiro ano não acreditavam que uma aluna com tanta facilidade lógica e matemática iria rumar pra comunicação. Apesar de ter questionado essa decisão algumas vezes ainda acho que meu raciocínio sistematizado é um diferencial na minha área de atuação. Aos 30 anos eu me vejo tão assertiva quanto aos 20, mas agora com uma certeza nítida de que não sou dona da verdade e preciso aprender e analisar antes de apostar em algo. Menos teimosia, mais humildade.

Ha 6 meses eu estava desempregada, tentando me acertar comigo mesma, medindo qual seria o melhor caminho a ser tomado. Ha 10 dias me despedi novamente de um emprego fixo, mas dessa vez com o maior de todos os ânimos, uma necessidade absurda em dispersar energia e a certeza de estar no lugar certo, na hora certa, com consciência e integridade (física e mental) que tornam meus próximos passos promissores sejam estes quais forem.

Quando se tem boas a opções, a escolha é baseada no que estamos perdendo. Neste caso, me sinto abençoada por saber que todas as vias à minha frente estão repletas de luz – e que toda a luz é projetada pela minha percepção, que nunca foi tão otimista!

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Produçãããããããão!!!!!!

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Pra começar, eu sempre digo que não pego gripe. Portanto, quando resfriada, eu fico malz só no amanhecer e quando a noite cai, que é quando esse grande deserto chamado Brasília resolve congelar o pé da minha cabeça e meus brônquios. Sou útil no resto do tempo :)

Pois bem, sem gesso e com um resfriado de derrubar, eu resolvi dar uns updates nos projetos pessoais.

Hoje reservei a manhã pra estudar um material que me foi enviado com o propósito de me explicar o mito do herói, e me dar insumos pra uma possível apresentação da qual falarei mais adiante.

Gente. Gente. Gente. Sério, não sei se é minha leonice – essa que de tudo fala, que não pega gripe e quer trazer alegria pras pessoas como um Papai Noel atemporal – mas eu sou capaz de me colocar no lugar do herói pelo menos 3 vezes por semana! Isso obviamente sem contar o mundo surreal dos meus sonhos – Inclusive essa noite eu tava, junto com minha mãe, defendendo o mundo de uma máfia perigosíssima lá no CA do lago norte, hshshshs. Mas esse papo é outro.

Minha vida é feita de seqüências quests sinistrinhos, desafios com os quais tenho que lidar com muito equilíbrio, concentração e leveza. E isso me traz satisfação – porque mesmo que em sonho eu tenho o hábito de accomplish my missions -, me prepara para os próximos que virão e, principalmente, costuma viabilizar meus sonhos* ;)

E é por isso que eu acabei me encaixando como um ser produtor. Encaixei minha mãe também, que de tudo faz e tudo arranja/consegue. Meu mote de vida é: “se eu não sei eu sei quem sabe”. E tudo isso é devido às boas relações que constitui com a vida e aprimorei me casando com a pessoa mais carismática e uma das mais queridas que já conheci. Thanks, mon amour.

*em sonhos leia-se: viagens e shows de rock. Futuramente elevaremos os rewards, mas o plano é manter esses daí no dia-a-dia :P

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Blé

Eu acho que tem alguma coisa no céu nas últimas semanas fazendo com que as pessoas fiquem sentimentais e descontroladas.

Me incluo.

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Feels like home

As vezes preciso me repetir pra relembrar as pequenas coisas que aprendi com a vida que me fazem querer ser melhor. Minha maior terapia e a mais eficiente e falar, falar e falar. Tento replicar conhecimento alheio e próprio pra suavizar situações, trazer mais leveza pra correria e diversão pra quebradeira.

Das coisas que mudaram a minha vida – além de “a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena” e “muito ajuda quem não atrapalha” (viva Chaves) – e que gosto de relembrar:

-A vida não é fácil, não é segura e não é justa. Mesmo assim devemos ser gratos a nossos pais pelo dom de tê-la, porque é indiscutivelmente uma bênção;
-Pertencimento é um dos pilares da vida. Estar onde se quer estar, se sentindo bem com o que se está fazendo é garantia de sucesso. Ou da percepção do sucesso (pra que mais?);
-Reconhecimento é opcional. Água, sono e amor são necessários;
-Um copo de água e senha de wifi não se nega a ninguém;
-Problema é desafio. Erro é aprendizado. Conhecimento é mato;
-Humildade nunca é demais;
-Paciência nunca é demais;
-Pedir ajuda é um baita ato de coragem <3 -Expectativa atrapalha, projetos animam; flower

Eu tenho vontade de engolir o mundo inteiro as vezes. Mil projetos, e a ansiedade em dar o primeiro passo e depois ir adiante. E vez por outra me sinto completamente perdida – como foi que eu vim parar aqui meu Deus do céu… e de repente – pra quem acredita em acaso – as forças do universo vem e montam um quebra-cabeças de luz na sua frente, explicando tudo. Daí vem essa sensação: pertencimento. Sentir na vida e no dia a dia o mesmo conforto que pode-se sentir ao chegar em casa, se descalçar e ficar em família. Em outra escala, mas com igual leveza.

Sim, eu estou no lugar que deveria estar, dando o melhor de mim, no momento certo da minha vida. Não é perfeito, nunca será. Precisava de mais 2 ou 3 dias na semana pras coisas saírem mais certinhas, como eu gostaria realmente, mas não tendo tu, vai tu.

Esperando, curtindo, amando, aprendendo e sorrindo.

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