Monólogos

Acordou faz uns 20 min e não parou de falar/cantar um instante. Dentre as pérolas:
“O Papai não tem mamá”
“A cabana chama o castelo”
“Mamãe, acho que a zebra voou”
“Oooolha! Um monte de azul! Azul é blau blau blau”
“Cadê o Papai?” (Foi pra aula)
“Eu tô sem Papai!!” (Abrindo os braços com as palmas da mão pra cima forjando um desespero)
“galinha, o Papai vai voltando”
“Eu quelo pizza de prato roxo”
“A mamãe é muito grande”
Sobe na cama, vai até a beirada e diz “como que você desce agora?”
“Deixei a amalela na cadeila do blau” (o imã amarelo na cadeira azul)

Teremos um longo dia pela frente :)

Luiza descobriu que os ímãs colam na cadeira
Luiza descobriu que os ímãs colam na cadeira
Continue Reading

Vocabulário dos 23 meses

Eu venho fazendo notas mentais das maravilhas que Luiza diz, porém já faz um tempo que ela tem muita propriedade pra dizer o que quer, e a dicção está cada dia mais “adulta” (o que é engraçado pelo tamanico dela e meio triste pois ela raramente solta um termo bebezento). Sendo assim, por escrito perde toda a graça; não tem como demonstrar a entonação, a pequenez da voz nem os trejeitinhos.

Enfim nos últimos dias, talvez pelo excesso de informação que ela vem recebendo, o cérebro da pequena começou a dar uns nós. Daí eu penso: agora sim temos conteúdo pra um post, haha.

Luiza tem confundido a palavra consegui com consertei. Com isso ela tenta subir em algo e fala “eu não conserto”. Termina um quebra cabeça e fala “eu consertei” – o que faz todo o sentido do mundo. E quando o pai põe pilha em algo ela fala que ele consegou.

“Tá” e “Já” também estão dando trabalho. “Eu tá acordei, mamãe”. “O Bebel já dormindo, Golias já dormindo, Papai já dormindo…”.

Ela confunde a tia Joice com o George irmão da Peppa. Então vê a foto da tia e fala “tia George”. Essa semana encontramos a tia Ju e o tio Guigo, ela chegou em casa perguntando pela tia Gugu.

Eu a vi carregando uma sacola de mercado com estampa de gato. “Filha, onde você vai com a bolsa do gatinho?”. E ela responde “É sacola” (hahah). Outro dia ela queria perguntar sobre, mas esqueceu a palavra, daí disse “cadê aaaa… aaaa… aaaa… aaa… a caixa do gatinho?”. Sim, porque na sacola se guardam as coisas, assim como na caixa. Justíssima troca.

Até um dia desses ela dizia Dipuca quando queria falar desculpa. Agora é deculpa. Reconhece a letra U pra todo lado que vai, por conta do metrô daqui. Adora números, eu digo: “olha filha! Dois gatinhos!” e ela olha pros mesmos dois e diz “olha, quatro gatinhos!”. Papai fez dez anos, tia dinda tem quatro.

Essa noite ela estava um pouco febril e às 3h00 da manhã sentou na cama e disse “quelo ver Pocoyo na telesão” e ela mesmo respondeu “Telesão tá istagado. Não. Telesão tá dumindo, tá cansado… Papai tá cansado, Luiza tá cansado, a Galinha Pitadiha tá cansado… telesão tá cansado…”

A falação não pára durante o sono. Entre uma virada e outra ela balbucia coisas como “eu quelo dançar na sala”, “melancia”, “a bolinha lalanja caiu”, “cuidado Qua-qua!” e um quase que diário “papaiiiii? papaiiii?” seguido de nada.

Nós 3
Nós 3

Em menos de um mês completaremos 2 anos dessa viagem louca que é ser mãe/pai/filha. Ela nos encoraja e alegra todos os dias, nos dá novas perspectivas pra todos os olhares e ajuda a trazer paz pros nossos corações. Todos os dias. A gratidão só aumenta, o amor também.

Continue Reading

Rock

Luiza vem com um fone de ouvido na mão:
– Mamãe, pode ouvir a música do Bita.
– Filha, mas a mamãe não quer mais ouvir o Bita. Mamãe gosta é de rock’n’roll.
– Pode ouvir a música do Bita.
– Filha, você sabe do que a mamãe gosta?
– Patati Patatá. Bita. Patatá.
– A mamãe gosta de rock’n’roll, filha.
– Rockoll.
– Posso te mostrar a música que eu gosto?
Coloco uma música do QotSA das mais lights, começo a cantar junto. Ela corre, busca o iPad e coloca o Bita no Spotify e vem cantando e dançando com muito mais entusiasmo do que eu.
Desliguei o meu som e tô aqui ouvindo Bita com ela.

Sendo mãe. Desde 2014.

Continue Reading

Dois lados de uma mesma moeda

PRIMEIRO ATO

Ontem fomos ao Jungenamt atrás do Kita Gutschein pra podermos colocar Luiza no KiTa.

(Viram como eu disse ali umas palavras que só fazem sentido aqui? Pois é, essa é minha esperança. Eu vou aprender alemão, aguarde e confie)

O Jungenamt é o nosso juizado de menores e, ao contrário do Brasil, pra matricular um filho na escolinha (Kita) devemos ter uma “autorização” – literalmente um voucher (Gutschein) – dizendo por quantas horas você pode deixá-lo lá. Posso estar perdendo alguns pontos da explicação, mas basicamente é isso.

Daí uma amiga me ajudou preenchendo os documentos online e eu reuni todos os dados necessários (registro de residência na cidade, cópias de passaporte e matrícula no curso de alemão – ainda faltou o documento que comprova o trabalho do Fabricio). Sim, amigos, estamos num país extremamente burocrático. A diferença é que aqui a burocracia não é redundante, ela é extensa porém direta.

Enfim, depois de um grande esforço pra entender onde era o local onde eu deveria entregar a documentação, jogamos o endereço no Google Maps nosso mais fiel escudeiro e tomamos dois ônibus até lá. Chegamos cerca de 20 min antes do fim do horário de atendimento. No primeiro ponto eu perguntei se podia falar inglês, o rapaz me respondeu que não – em alemão, claro. Apontei pro documento que eu tinha em mãos e ele me respondeu em inglês pra eu ir até o Infopoint.

Sim, eles me parecem confusos às vezes.

No Infopoint, que era bem na porta desse prédio gigante e lindo – que eu me arrependo no momento por não ter fotografado, mas o farei em breve – eu fiquei esperando até que algum dos dois pontos de atendimento vagassem. Porque já aprendi aqui que você aborda o atendente, e não o contrário.

Neste momento, meus amigos, algo muito emocionante me aconteceu: eu proferi meia dúzia de palavras em alemão e… ELA ME ENTENDEU! (inserir fogos de artifício aqui) Eu tive muito orgulho de mim por ter conseguido me comunicar. Mas obviamente não entendi praticamente nada do que ela me disse. Só post e haus, logo eu soube que me mandariam o que quer que fosse pelo correio. Claro, fiquei insegura e pedi minha amiga pra perguntar se era isso mesmo pelo áudio do whatsapp, que eu mostrei pra tia e mandei outro de volta com a resposta pra ela me confirmar.

Resultado: funcionou. Preciso voltar lá pra terminar de entregar a documentação, mas o processo está encaminhado.

SEGUNDO ATO

No Kita, preenchendo o papel de requerimento de vaga (sim, porque não basta o voucher, você ainda luta até conseguir uma vaga).

Atendente: Endereço?
Cintia: Merseburger strasse
A: Bitte?
C: Merseburger strasse
A: Sorry, I don’t get it.
C: Merseburger strasse. Let me show you (e abro o Google Maps mostrando o nome da rua)
A: Ah, ok. Merseburger strasse.
C: Como vocês pronunciam em alemão?
A: Merseburger strasse.
(este diálogo aconteceu em inglês)

Eu juro que falei a mesma coisa que ouvi. Juro. Ela só disse mais devagar. Tem alguma coisa muito errada.

Sim, às vezes eu pareço confusa pra eles.

E a aventura continua.

Continue Reading

toc toc toc

Eu já disse que nossa chegada tem sido suave?

Gente, nenhuma expatriação é serena. Nem as mais suaves. Ela tem sido relativamente branda, agraciada pelo humor da Luiza que ama “todo mundo” (segundo ela mesma) e por diversos anjos sem asas que Deus nos enviou em forma de amigos. Mas a gente estranha, né? Acho que é isso, deve ser um estranhamento.

Eu sempre agradeço pelos desafios que tenho pela frente. Costumo dizer que foco num problema de médio prazo de solução pra ir direcionando minha energia de forma otimizada e ir calculando o tempo das coisas. Mas na verdade é só um jeito de diminuir a ansiedade, já que a vida é essa sequência doida de coisas a serem resolvidas com breves momentos de relaxamento entre eles.

E falando em ansiedade, na semana passada eu dei uma piradinha. Foram 3 dias de muita ansiedade coroados por TOC. Não foi nem perto das grandes crises que já tive na vida – pudera, depois de tanto tempo, esforço, tratamento, auto conhecimento, conexão espiritual… as coisas mudam. Amém.

De um instante pra outro voltei a sentir aqueles impasses desconexos, necessidade de ordenar as coisas, cores e posições, incômodo com as texturas e os cheiros e meus dias ficaram repletos de pequenos rituais com intuito de ordem, porém causando um caos absoluto. A angústia de ter sintomas dos quais me livrei há tanto tempo misturada à certeza de que isso não me pertence e um vestígio de medo daquilo não ir embora. Mas foi. Ufa.

Lembrei das amigas dizendo que quando “a ficha caísse” eu poderia me sentir abalada. Mas sendo isto uma certeza, eu acredito que estou bem preparada pra instabilidade, pra saudade, pros choros, pra reclamar do frio… A mudança de continente está sendo guiada por um sentimento de plenitude e pela vontade do desafio. Não apenas pelo bom, mas pela aceitação de que o difícil não é ruim.

Enfim, ainda consternada eu conversei com algumas outras mães que saíram do país e que também passam pelos desafios que tenho encontrado, falei com meu amado primo que é psiquiatra, fiz listas mentais e físicas, resolvi fazer o avesso do que meu instinto me pedia… e dois dias depois o incômodo cessou.

Tenho uma leve sensação de que pode ter sido algo que me surgiu por um motivo hormonal, dentre outros tantos motivos. E mesmo sem ter a menor idéia da razão eu tenho a certeza de que essa assombração de transtorno me apareceu pra eu me cuidar. Pra ter cautela, buscar saúde e ser empática com as pessoas que piram longe de casa. Porque nossa casa quem identifica é o coração – e o meu identificou essa daqui. Só que colo de mãe, casa de vó e risada com os amigos são minha casa, tanto quanto esse chão que piso.

A distância as vezes se transforma em sintomas ingratos. Que demorem a voltar e sejam cada vez mais breves.

E que a temporada de visitas comece logo!

fonte: http://www.hypeness.com.br/2015/05/artista-mostra-em-12-retratos-emocionantes-a-luta-diaria-que-trava-entre-a-depressao-e-a-ansiedade/
“Um copo d’água não é pesado. Você quase não percebe quando precisa segurar um. Mas e se você não pudesse esvaziá-lo ou colocá-lo na mesa? E se você precisasse segurar seu peso por dias… meses… anos? O peso não muda, mas o fardo sim. Em um certo ponto, você não consegue se lembrar o quão leve ele era. Às vezes é necessário dar tudo de si para fingir que ele não está lá. E às vezes, tudo o que você precisa fazer é deixá-lo cair.”
Continue Reading

encontros

Há dois meses eu me emocionei com o texto que replico abaixo. Denise, uma amiga de internet de longa data estava prestes a ter seu segundo bebê.

Ontem eu a vi pessoalmente pela primeira vez. Tive a honra de conhecer os dois pequenos e o enteado, e o prazer de ser recebida por eles na nossa primeira visita à Berlim.

Foi um breve passeio, se é que podemos chamar um traslado assim, rs. Mas foi bom, acolhedor e simples, como a humanidade pede.

São momentos leves, doces e pequenos atos de generosidade como este que me fazem apreciar as amizades que cultivo na vida. Digo sempre: Amigo é melhor que dinheiro, minha gente.

E ver os amigos felizes é ainda melhor.

Gratidão, Denise Emmermacher.

“Meu filho,

Está chegando a hora de você botar a cara no mundo. Ainda muito longe da sua independência de mim e do seu pai, mas é a nossa primeira separação. Entre eu e você.

Preciso te alertar que as coisas aqui não são fáceis. Peço desculpas, a princípio, por nem sempre estar bem e você ainda sente tudo que sinto. Estou postando esta música pra você. Pra que você saiba que estou sempre rezando por você. Que quando você vier será um ser tão puro que não vai precisar ainda rezar. Mas com o tempo talvez deixe algumas coisas entrarem dentro de você e aqui vai meu primeiro conselho: a oração faz a gente voltar ao estado inicial. Restitui tudo o que éramos antes. Tenho minhas dúvidas se algum dia a gente deixa de sentir nossas mães, então se algum dia você sentir que eu preciso ore por mim também. Ou pelo menos emane boas energias, será um bom começo.

Hoje sonhei com uma família de gorilas. Estavam subindo num penhasco e de repente a gorila mãe pariu lá do alto. O bebê caiu do penhasco, mas continuou vivo. Ele era diferente do resto, tinha traços humanos. Será que era você, meu filho? Estamos precisando disso: bebês com traços humanos.

Depois escreverei mais cartas. A próxima será pra sua irmã.

Um beijo,
Mamãe”

Continue Reading

Amamentação Prolongada

Quando estava grávida eu entendia que o hábito da mamadeira seria necessário na minha rotina. Meu trabalho não poderia parar: eu passei a vida adulta inteira (até o momento) me entendendo melhor como profissional do que como serumano. É minha terapia, onde faço a minha energia fluir e girar, me sinto útil, me adequo e cresço de forma gratificante.

Eu havia comprado mamadeiras maravilhosas anti refluxo, de vidro, super resistentes e bem recomendadas. Quando ela nasceu eu tirava 10-15 ml do meu leite e colocava na mamadeira pro pai dar pra ela. Foram 3 ou 4 vezes, até que um dia ele passou pro time de (inúmeras) pessoas que nos dizia pra não oferecer mamadeira. Foi tenso. Foi triste quando eu fui trabalhar quando Luiza tinha 4-5 meses de vida e ela não sabia usar/não queria a mamadeira com meu leite. Não queria meu leite congelado, nem fresco, nem no copo, nem na colher.

Entre os 4 e os 7 meses da Luiza eu sofria em todas as pesagens. O pediatra pediu que eu tentasse dar o leite artificial enquanto eu doava leite pro banco; muito leite. E Luiza se interessava cada vez mais pelo mundo, mamava apenas o suficiente, não ganhava peso como o padrão determinava enquanto eu doava e me remoía por… por tudo? Acho que por tudo.

Com o tempo eu passei a me forçar a entender que Luiza é Luiza, e não necessariamente é o bebê modelo do ganho de peso e dos hábitos alimentares. Eu li muitos artigos e opiniões de especialistas da amamentação, autores de todo o mundo. Com 10 meses, durante uma viagem ao RJ, ela passou 2 dias sem comer, mas mamando. Achei, na ocasião, duas leituras que me apaziguaram: diziam que o bebê amamentado pelo leite materno tem garantidos todos os nutrientes necessários até seus 18 meses. Ou mais, ou menos, pois cada bebê é único.

Eu entendi que minha função como mãe é oferecer o almoço, as frutas, o café da manhã, apresentar os alimentos. Comê-los ou não cabe somente à ela, felizmente ou não.

Pensei em amamentar até um ano. Luiza fez um ano no dia 30/11/15 e dois dias depois começaram a nascer seus primeiros dentes. E ela, que estava começando a comer melhor, desandou. “Só mais um pouco”, pensei. Com 15 meses Luiza se despediu da babá que cuidou dela desde os 4 meses. Com 16 meses foi pra escolinha. Com 17 meses mudou de casa. “Ela não merece lidar com a ‘perda’ do mamá concomitante a tudo isso”, pensei.

Aqui estamos, 18 meses de amamentação. Não é mais uma livre demanda, há tempos ela só tem por hábito o mamá da noite. Normalmente se ela pede fora do “horário” eu mudo o foco, ofereço água, ofereço comida. Se for sono nenhuma das opções serve, e ela mama alguns minutos até adormecer.

De repente um dente mais chatinho, um resfriado, e me vejo faltando o trabalho – uma das únicas vezes na vida – pelo fato de ter uma pequena febril, chamando mamãe e mamando interruptamente. Por fome, sede, alívio, carência, manha, pertencimento e amor. Passei o dia com ela, com poucos instantes perto do computador pra resolver o que não podia esperar.

A impaciência dá espaço a uma imensa gratidão por ainda ter esse privilégio de amamentar. A sensação de que a pequena continua pequena, mas que em breve não o será. Meu amor é dela, meu colo é dela, minhas intenções são pra ela. A amamentação é um trabalho árduo, exige paciência, tem picos de estresse e pode ser, dentro de toda a minha experiência de vida, o meu trabalho mais gratificante – até o momento.

IMG-20151211-WA0023

Continue Reading

Vocabulário 2

Luiza começou a chamar a Margot de “Mambô”. Procura a Mambô embaixo do bloco e pela casa, falando “Dê?” com as palminhas das mãos pra cima, em gesto de questionamento.

Fomos pra São Paulo comemorar o aniversário da uouó – e ela amou todas as vezes que cantamos parabéns. Lá o priminho tem um puf em forma de bola de futebol, e como ela chamava este objeto? Mambó. Passa-se uma semana e eu digo pra ela “filha, olha ali uMA-BÓla. Ela repete na mesma hora “Mambóoo”, e resolvo o mistério; é uma bola, gente. Quando é pra falar só “bola” ela diz “bó”.

Ainda em SP, abri a mala e ela percebeu que ali estava o Golias, um elefantinho que toca músicas de ninar com quem Luiza dorme desde 1 mês de idade. A alegria em ver o amigo foi tanta que ela vibrou: “Lili! Lili! Lili!” pegou o bonequinho, deu um beijo e um abraço tão apertado que precisou até fechar os olhos – ela costuma dar esses abraços no bom-dia. No dia seguinte ela fez um upgrade de fonemas quando a vó chamou pelo seu nome, e repetiu diversas vezes o “Luí”.

Ainda nos Ls, Luiza chama o pintinho amareLInho e a gaLInha pintadinha de Li. Mas o pintinho ela chama apontando o dedinho indicador pra palma da mão, em referência à coreografia da música, que desconfio que seja a preferida dela. Quando ela vê que eu troquei de brinco ela aponta e diz Linn’a. As árvores também são lindas. Curiosidade: Luiza faz carinho nas folhas e destrói as flores arrancando pétala por pétala, as vezes colocando os pedacinhos no próprio cabelo, ou no meu.

Alguns dos seus brinquedos favoritos são: Nuná (Luna), Liss (Golias), Tatá (Patati), Píipi (Frida) e a Lulu (Coruja). Recentemente ela aprendeu a pedir ajuda (dudu?) quando se vê em alguma enrascada. O colo ela pede “ném, ném, ném, ném” agarrada às minhas pernas e dando saltinhos que acompanham o ritmo das sílabas, repetitivas como um alarme de incêndio. Já mencionei que ela me parece muito decidida?

As frutas são: lalá (laranja), tatá (abacate), mamão (mamão), mamão (limão), mamão (morango) e mamão (maçã). Mas ela gosta mesmo é de pum (pão), têj (queijo) e iogurte (tutu). Hoje de manhã eu dei um pedaço do meu pão pra ela e saí de perto, ela veio atrás de mim e disse “mais pum”, eu tenho vontade de rir até explodir!

Os fonemas vão se multiplicando, e não consigo acompanhar todos os significados por enquanto. Me controlo pra não corrigir, nem repetir, nem desfalecer de tanto rir, e assim deixá-la no curso natural do aprendizado, com a fofura extrema que acompanha o processo.

Luiiiii

Continue Reading

Vocabulário 1

Comecei esse post algumas vezes. Cada vez que começo eu penso que não me lembrei de tudo e acabo desistindo pra fazer novamente num momento mais tranquilo. Mas tempo não pára, tampouco a pequena. Começo, portanto, um post que pode – ou não – ter sequência.

1 ano e 4 meses aqui. A comunicação cada dia mais afiada, ainda longe de sair do ~bebenhês~.

Há 3 semanas, quando ela via algo que queria comer ou beber, ela dizia “má”. Em uma semana passou a dizer “mai”. Agora fala um “maishh”, firme e cheio de certeza. E não é só pra comer. Seja pra guagua (água) ou pra pupu (pula-pula), ela sabe muito bem o que quer e sabe que estamos a entendendo.

Há um tempo ela aprendeu a apontar e dizer “esss” (esse). Eu, as vezes apressada e levemente nervosa respondia “esse qual, Luiza?”. Resultado, já faz algum tempo que ela não fala “essss” mais. Ela aponta pro que quer dizendo “qual?”. E o qual cada vez mais perfeitinho. Agora eu voltei atrás, respondo “qual, Luiza? Esse ou esse?”, mas ela ainda responde “na-não” ou “qual”.

Luiza fez um ano chamando o papai de “mamãe”. Era fofíssimo vê-la dizer “bô, mamãi” quando ele saía. Agora ela fala “papai”. E o termo serve tanto para designar o papai quanto sapatos, chapéus (qualquer item de por na cabeça) ou a Pepa Pig. Ela vê minha touca de hidratação e sorri dizendo “papai mamãi”. Sim, é o chapéu da mamãe. Papai papai podem ser os sapatos do papai.

“Uouô” é outro coringa. Serve pra alô, vovó ou vovô. Ela fala muitos uouô com o telefone na orelha, mas ultimamente termina com bê-tau (beijo tchau).

Semana passada ela olhava pra mim dizendo “nonô”. Eu não fazia idéia do que poderia ser nonô, mas era um pedido firme, apontando, gesticulando. Eu desviava a atenção, levemente frustrada. Essa semana ficou claro: Nonô é ela pedindo pra assistir desenho. Nonô, simples assim.

Cacá é o macaco. Lulu é a coruja. Uauá o cachorro. Quaqua é o Pato. Cocó são os pombos (?). Nhamm é um “miau”, mas serve pra gato, tigre, onça, o felino que for. Menos o leão. Recentemente eu percebi que ela fala Pechhhh quando vê um peixe nos livrinhos. Mas o que me intriga é que todos os elefantes que ela reconhece são agraciados por um tom de comemoração: “tutu!!”

uma roupinha japonesa com cinto de "tutu"
uma roupinha japonesa com cinto de “tutu”

(continua…)

Continue Reading

O Desafio da Paternidade

Ou a bênção?
Delícia de vídeo!

Um ano novo é uma chance de sermos pessoas melhores. Feliz 2016.

Publicado por Marcos Piangers em Segunda, 28 de dezembro de 2015

Continue Reading