Expat – Etapa 12/199 check.

Eu sempre ouço “mas o que você vai fazer em Berlim?” e suas variações. Normalmente de pessoas que querem sair do Brasil – talvez pelo cenário econômico atual, talvez por fuga emocional e talvez porque gostam de se aventurar. Eu acredito que só fomos capazes de zipar as malas e partir quando a fuga emocional não fazia parte do contexto.

De resto, o cenário econômico e político brasileiro realmente vinha nos cansando. O daqui, porém, também tem suas mazelas – acreditem. Mas o maior e melhor de todos os motivos é a aventura de se começar um novo capítulo na vida cheio de desafios, acompanhados da pequena pessoa que nos encoraja diariamente, e que em muito breve será bilíngue.

A apaixonante Berlim
A apaixonante Berlim

Ontem conhecemos o Mark, nosso gerente do banco. Eu não saberia soletrar o nome dele, de família polonesa. Mark é jovem, pensa rápido, faz piadas espertas, acha o sistema do banco meio bobo, perde break do almoço sorrindo, dizendo que gosta do seu trabalho e que vai atender uma senhora polonesa – que está feliz em ser atendida na sua língua mãe – em breve.

Eu digo: que bom, você consegue fazer o seguro X pra ela, fica bom pras duas partes: e ele menciona que o salário dele não é vinculado às vendas dos seguros, mas sim, ele os oferece com o mesmo afinco aos que estão por ali.

Na nossa visita ao banco o gerente se demonstrou dedicado às nossas questões, resolveu tudo prontamente, contou quanto ganha, quanto paga de aluguel, sugeriu um site pra achar apartamento quando precisarmos nos mudar, contou que fala 5 línguas (explicou que francês, inglês, polonês e alemão vieram da infância) e que está querendo aprender mandarim e eventualmente espanhol. Ele também disse que vai aplicar pra um trabalho num grande banco chinês quando se formar na faculdade que está fazendo agora, fez uma piada sobre a chefe dele estar indo pra casa e disse que queria estar dormindo feito a Luiza naquele momento. Não, ele não queria. Ele está feliz fazendo um ótimo trabalho.

Precisamos dizer que foi a ida ao banco mais eficiente das nossas vidas? Não foi chato, pelo contrário. E me impressionou – mais do que as 5 línguas que o rapaz fala – a naturalidade com a qual ele menciona seus planos de sair dali sem perder a eficiência do atendimento, destoando completamente de qualquer discurso que já tivemos em bancos no Brasil.

Mais uma vez, acabamos de chegar, meu “relacionamento” com o banco acaba de começar, e muita água ainda vai rolar por debaixo dessa ponte, mas a princípio a nossa primeira escolha de banco foi encantadora. Além disso, só me resta pedir aos céus que me ajude a ter um quinto da capacidade de assimilação de línguas desse rapaz e que meu cérebro absorva a língua local o quanto antes, haha.

Em breve teremos histórias sobre as aulas de alemão. Me aguardem.

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Ao vivo – de Berlim

Eu não devia estar acordada.

Mas como estou com essa mania de acordar as 5h00 eu resolvi escrever, que é a melhor forma de organizar meu pensamento. Só que, em cada um dos canais ativos na minha mente, tá rolando um pitch diferente com o que posso ou devo resolver/desenvolver nos próximos 18 meses. A partir de terça.

Sim, porque chegamos na Alemanha às vésperas de um feriadão, e isso não é por acaso. De hoje a segunda tô de altas e espero vestir amarelo e rir de bobagem, se minha cabeça deixar. Pretendo dormir de novo jajá, mas antes deixa eu dizer algo pra desativar um dos canais.

Sim, mudamos pra Berlim. Formalmente foi ontem (30/09/2016), quando conseguimos tirar o Anmeldung – diga-se de passagem, em inacreditáveis 24h após o pouso e sem termin.

“Mas eu não fiquei sabendo que vocês iam!”… Gente, quase que não dá tempo da gente mesmo ficar sabendo =) Mas agora é real, e mesmo assim meu cérebro não desligou pra me deixar descansar quando durmo.

Eu acordo às 5h00 desde 22/08/2016 e pela lógica deveria ter se acordado 10h00, já que mudei de fuso. Como sou adepta de fazer limonadas com os limões que a vida me dá eu vou aproveitar o silêncio pra meditar, orar, agradecer e depois eu vou estudar até dormir de novo. Porque hoje é sábado, amanhã é domingo e segunda é domingo de novo, na cidade mais linda e receptiva que já conheci.

Botão de gratidão do Facebook, saudades.

Ain
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OFF

Sétima noite pós batida de carro, minha resiliência tentando ressurgir das cinzas, a energia dando pico em hora errada e a ruminação zoando meu padrão de sono. Pra quem tá tentando recuperar tranquilidade, centramento e discernimento sem alterar muito a base da rotina eu tô ótima…

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Avaliação

Uma das coisas mais estranhas que senti pós maternidade: passei alguns meses sem gargalhar. Achava graça das coisas, mas parece que o cérebro tava num modo full de emoções e a risada não vinha.
Além disso eu tenho uma sensação de que avalio menos. Não sei muito o motivo, ainda não consegui analisar a fundo – porque não consigo mais fazer isso tão de imediato: me parece que as minhas percepções e avaliações – que antes eram infinitas – passam por menos etapas, fluem em menos variáveis e acabam mais práticas e (talvez) menos profundas.

Ainda na época da barrigona eu percebi uma conexão maior com o aqui-agora. Perdi a ansiedade que tava sempre dentro de mim, comecei a aceitar a ordem e a hora das coisas.

Tenho a impressão de que praticamente todos os meus pitis de 1 ano pra cá foram causados pelos hormônios puerperais. Não sou tão chata, não sou tão exigente, não sou tão doida quanto pareci nesses momentos. Ou me nego a perceber que sou. haha.

Todos os dias eu tenho instantes de gratidão pela vida que tenho. Todos os dias eu tenho uma novidade pra aprender com Luiza. Eu nunca me imaginei tão envolvida com o mundo prático, sem racionalizar cada passo dado, e mesmo assim tenho um caminhão de planos pra minha família e pra mim.

Meus medos são os mesmos, mas me desgastam por muito menos tempo, pois tenho gastado meus minutos sendo feliz com as escolhas que fiz e as conseqüências trazidas pelos meus passos. Pequenos passos, dados um de cada vez. Sem pressa.

Na prática os projetos são mais lentos, meu raciocínio é menos aleatório e a vida tá ficando mais leve – embora eu me sinta menos inteligente. Mas é que agora não é hora de brilhar intelectualmente. É hora de ser prática e eficiente. E de ser mamãe.

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Pazes

Eu passei por um breve período com uma relação intensa de ódio pelo blog. Na verdade pelo serviço de hospedagem. Na verdade pela minha falta de habilidade em lidar com serviços de hospedagem. Mas a verdade MESMO era por causa da alta do dólar, que acabou com meu poder de compra internacional, mesmo que os valores sejam ínfimos – na moeda deles.
Eu amo meus registros, e amo escrever aqui. Me organiza as idéias, me faz digerir o que preciso entender e me faz ver que cresci.
Obrigada aos amigos que me ajudaram a nacionalizar meu blog e desculpa pelo analfabetismo virtual.

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Planos e Tombos

Minha vida se faz de planos e tombos. De novos tombos, de novos planos e flores emaranhadas em pedras pelo caminho.

Planejo mais do que vejo por aí, sou viciada em analisar cenários, processos e resultados por mais pessoais e informais que pareçam. Óbvio, de certa forma – analisando os casos passados – existem tombos e mais tombos, dos mais diversos, diariamente na minha rotina. Quanto mais plano, mais coisa fora do esperado.

Aaaaaah, a rotina… E meu amor platônico por essa danada. Adoro números, horários, previsões e planilhas. E aparentemente fiz escolhas que me desafiariam brutalmente, me fazendo querer pegar todo esse mundão desorganizado e dobrar pra caber em caixinhas de tamanho médio, cores harmônicas, e deixá-las etiquetadas com a data escrita em um formato padrão, pré determinado.

Daí escolhi ser publicitária, a contragosto dos professores de exatas. Depois caí no mundo dos eventos, e haja jogo de cintura pra lidar com tanto imprevisto. Depois me encontrei como executiva comercial, com uma agenda colorida marcando as metas do dia da semana, que eventualmente trocariam todas de posição, estrategicamente reorientadas, diariamente. Quanto amor deixei por onde passei, quanta frustração transformei em aprendizado, quanta gente querida no meu caminho… Flores e pedras. Tombos e planos. E ajustes. 

Me perguntei onde me perdi e descobri que bastava um novo tombo (ou mais) pra me reinventar, e achar o mesmo pique, traduzido em outros planos, em outros planos.

Lá vou eu de novo :) 

 

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Padrão

No banco as senhas de câmbio não tem “versão” preferencial. Pego uma preferencial geral, que tem outros 6 números na minha frente, nenhum deles pra câmbio. Resultado, levo mais tempo pra ser atendida na P do que pela senha comum.

Highlights: a atendente fofa do câmbio que disse que não podia me atender porque “ta cheio de preferencial que chegou primeiro” e o filtro com água no segundo andar, porém sem copos disponíveis que não sejam aqueles descartáveis de café, pra tomar um golinho de cada vez.

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Maldito plano físico

Sabe aquele machucado que você puxa a pelinha e faz um rombo muito maior? É a prova bruta da minha cabeça dura. Arrependimento, dor e gastura me tirando o sono.

Se fosse uma questão intelectual eu não teria repetido o mesmíssimo erro pela centésima vez aos 30 anos.

Aff… Um dia eu aprendo :(

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Tem medo?

Há alguns meses estive no Rio de Janeiro com amigos, e me surpreendi ao me ver tranquilamente indo/voltando do apartamento para o barzinho a noite, a pé.

Não me recordo da última vez que caminhei pelas ruas de Brasília após as 20h00. Definitivamente faz mais de 10 anos. Por um senso de auto preservação, declarei meu próprio toque de recolher.

Acho que me antecipei. O ano de 2014 está me chocando diariamente, com notícias de assaltos, tiros, sequestros, violência aleatória.

Ontem tive o desprazer de assistir ao noticiário local. Um vídeo mostrava um assaltante sendo pego após um furto em um ônibus. Foram necessários 3 policiais e um transeunte pra conseguirem algemar o bandido que se debatia e agredia os policiais, reagindo à prisão. O EXTREMO DESPREPARO dos policiais é gritante! A arma do policial chega a cair no chão! Uma cena digna de uma comédia policial.

Já era sabido que o DF tem as regiões mais violentas do país. E me incomodava o fato da nossa Bras-ilha estar alheia à isso, na nossa bolha imaginária do Plano Piloto. E a bolha estourou.

Eu não sei sobre vocês, mas eu não tenho a intenção de passar os próximos anos vendo esse cerco se fechar cada vez mais, e tendo que engolir o caos dessa polícia – para a qual eu precisarei de um outro post pra comentar.

eu quis

E vai melhorar? Além da trapapolícia, vai vendo como estão sendo tratadas as crianças e adolescentes por aí…

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