Torn

My days insist on being hard, but compared to what they used to be, I can only be grateful. It’s a piece of cake. Sometimes it’s hard to keep my eyes open, to think straight, or it’s hard to lift one of my arms. It’s much worse not to love oneself, and damn, how hard it is to understand how to love oneself.

With those I love, my days are not easy, but affection makes everything shine. Some days are more beautiful, some are so difficult that the beauty disappears, regardless of being surrounded by love.

I feel good most of the time, and most of the time I’m doing things to keep myself well. Sometimes all I want is silence, but I’ve learned that my chatty mind will chatter, so I occupy it with a story, with a song, a list, or with a text (like this one).

Partnerships are transforming, and as we transition, now and then a little ache comes, and there it will stay… until it’s no longer there.

I’ve been feeling lonely; it’s hard to sleep. It’s hard to love from afar; it’s hard to sustain balance with such a distant love. It’s very hard to understand that what is not nourished dies. So the hardest thing is to understand the whys.

Even though I believe that love is action, that feelings pass, that thoughts change, that movement and intention drive everything… I still find myself immersed in privilege and gratitude, feeling an urge to tear my tears out.

Longing is love that isn’t there. And if love is action, how could it be there?

At least we know that difficult isn’t bad… it’s just difficult

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Capítulo 9 – Auto Reconhecimento

Capítulo 9

Uma colega da clínica hoje me viu com espasmos no rosto, mãos e dificuldade de locomoção. Quando melhorei ela veio me perguntar sobre os sintomas, frequência e a quanto tempo tenho lidado com isso. Enquanto explicava ela disse que “não aguentaria perder o controle do corpo assim”. Eu mencionei que ficou mais fácil quando passei a tratar os ataques como uma visita desagradável, que chegou mas vai embora.

Sempre fui muito habituada a racionalizações e suposições extremas, enfeitando meu dia a dia com explicações complexas pras menores das atitudes – me abrindo um leque de aleatoriedades, piadas e outras tantas pequenas maravilhas da minha cabecita neurodivergente. Era a razão do meu sucesso profissional, do meu humor e 85% da auto estima.

Em algum momento desse processo de adoecimento eu percebi que quando recorria ao raciocínio não encontrava nada, ou muito pouco. A primeira reação era que precisava me esforçar mais {resíduos de meritocracia ?}, porém as crises de enxaqueca não me davam trégua, e na teoria eu deveria descansar pra evitá-las. A mente tagarela se conteve nesse momento a me julgar {desorganizada! Burra! Esquecida! Distraída!}

Em alguns meses eu fui aceitando e parei de tentar entender, memorizar, lembrar. Comecei a observar tanto as crises de dor e enxurrada de pensamentos quanto os esquecimentos e vazios, sempre tentando evitar juízo de valor. Daí veio uma tristeza {incapaz, deficiente, errada, decepção}

Fui aprendendo na marra a mandar embora o auto julgamento, dar lugar ao acolhimento {é o que tá teno, hoje foi o que deu, vai passar também} e redirecionar meu pensamento pro *agora* – ainda que este tenha lá suas abas musicais e simulações, que pelo menos se aproximam um pouco mais do presente momento.

{Houve uma época que nem o modo de redirecionamento eu achava nos ficheiros do HD interno da minha mente – daí comecei a deixar por escrito – embora nunca soube onde anotei nada}

A medida que a capacidade mental foi melhorando e de tanto treinar – no nível hard sem energia – quando me dei conta eu  já tinha automatizado esse mecanismo de aterramento. E nada mais libertador do que aprender que as coisas são o que elas são, e que os pensamentos, por mais elaborados que sejam, são só pensamentos.

Observar as coisas sendo o que são é uma excelente forma de me poupar energia. E essa capacidade de produção massiva de suposições e cenários há de ter seu espaço cativo nas atividades profissionais, com ferramentas que os moldem de maneira conveniente e, oxalá, lucrativa.

Meu pensamento era um destaque descompassado na alegoria, saindo do ritmo, do tom e se projetando em diferentes universos. De tanto saracotear tomou um tombo e apagou, e só aí consegui perceber outros personagens vitais que me fazem quem sou.

Senhor pensamento está em regime semi aberto e, apesar dos piripaques neuromusculares, passamos bem.

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Capítulo 8 – Neurodivergência, Caos e Identidade

Capitulo 8 – aviso de gatilho: pensamentos suicidas

Diagnósticos, diagnósticos. O que é pesonalidade e o que é síndrome? Qual seria o limite entre a doença-tem-que-tratar e a norma?

Na verdade vivemos hoje num tempo onde o diagnóstico é a norma – salvo engano {Deus me livre de ter certeza} ouvi isso de um Psicanalista do qual admiro muito o trabalho, Henrique Vicentini. Quando tive a chance de me apresentar pra ele e um grupo de estudos e mencionei que vinha colecionando diagnósticos desde a infecção da COVID-19 em 2020.

(Houve um tempo que eu achava que ter TDAH era sinal dos tempos. Muita informação, essa internet dando acesso ao tudo e ao máximo das inexistências, procriando pseudiciência e exaurindo o ser humano com o mínimo de pensamento crítico, nos aproximando superficialmente, aumentando as distâncias e diminuindo a auto estima sem regular humildade… Perai, fui longe demais.)

Minhas lembranças de infância são muito específicas e tem muito mais observações dos meus pensamentos do que do ambiente em si. Eu tinha uma necessidade de não errar, então era mais facil ser low profile. O inicio da minha adolescência foi pesado, me lembro de situações muito constrangedoras causadas pelo meu hábito de não me atentar ao que se passava no meu entorno, e fazer coisas sem perceber, tentar ajustar/corrigir e depois tentar suprimir o erro mudando a perspectiva. Daí descobri que podia ser engraçada.

Enquanto minha irmã dizia que eu era “diferentinha” e minha mãe se ofendia mandando ela não falar assim de mim, me tornei uma excelente profissional, {modéstia a parte} pois ajustar, corrigir, mudar a perspectiva é sucesso no Business. 

Outobro de 2020, dias antes do teste positivo

{Aliás, boa parte dos meus sintomas eu transformei em diferenciais, com os devidos métodos (mecanismos de defesa?). Daí chegou a gripezinha, anos depois conhecida por matar sinapses.}

Após vivenciar um declive constante na minha saúde por cerca de 20 meses eu mal conseguia ter consciência do que eu era/sou. Passei o verão de 2022 em Berlim com o mínimo de energia, sem entender boa parte do que se passava ao meu redor, exausta e sem capacidade de interpretação ou analítica. A minha terapeuta, na ocasião, me perguntava se eu conseguia meditar, e eu tinha dificuldade de explicar pra ela como não conseguia pensar. O pouco que acontecia na minha cabeça estava na ordem da urgência. 

O famigerado fundo do poço: eu entendi que precisava baixar a pressão e a resistência, mas assim acabei encontrando escuridão (o urso). O último episódio depressivo que tive antes da Covid me deixava a grosso modo em dois estados: gritando ou dormindo. Dessa vez, porém, com a fadiga, eu estava quase sempre dormindo, sempre confusa e não me via capaz de assumir nenhuma responsabilidade. Tive dias em que não conseguia sair de casa, com medo de entrar em colapso. Passava dias sentindo uma tristeza profunda, outros dias não sentia coisa alguma. Foi mais ou menos aí que eu comecei a pesquisar sobre suicídio assistido, e com pouca pesquisa achei melhor conversar com meu médico.

Long story short – eu mudei a perspectiva, mantive os tratamentos alopáticos, aumentamos a dosagem do que foi preciso, e procurei uma amiga querida que é uma deusa da Ayurveda antes de precisar mergulhar em mais remédios. Nos primeiros dias de dieta e massagens eu fiquei três dias sem crises da enxaqueca e as coisas foram mudando. {Manter o movimento, confiar no processo, o que será será, e as coisas são o que são, quando devem ser}

A partir daí fui sentindo diferenças mínimas que aumentavam passinho por passinho minha qualidade de vida. Em setembro de 2022, eu fiz uma viagem que foi bem menos difícil do que outra que fiz em julho – quando me senti “o morto muito louco”. Daí em outubro eu percebi que passei mais tempo de pé do que deitada (esse foi meu grande e celebrado avanço), porém as crises ainda estavam na faixa de 20 dias por mês, o que me permitiu começar o tratamento pra enxaqueca com anticorpos monoclonais pelo plano de saúde.

Julho de 2022 – não se enganem, eu tava bem pior que na foto anterior – é invisível

No início de novembro tomei a primeira injeção deste tratamento, e a partir daí a minha saúde passou a fazer avanços menos sutis. Fui capaz de buscar ajuda psicológica e emocional, falar ao telefone, elaborar um cronograma (que ainda não foi executado, mas oxalá, jajá será), fazer planos que me trariam alguma sede de vida {miaguarde Brasil!}. Passei a fazer algumas caminhadas, já que os esportes que me agradam mesmo eu ainda não consigo fazer.

Na sequência, entre um baque e outro (fui demitida, falaremos sobre), que fui até a Clínica-Dia do ladicasa tentar entender se eles poderiam me ajudar. Coloquei meu nome numa lista de espera e me ligaram em Janeiro. Fiz uma reunião que foi um tipo de triagem pra ver se meu caso era algo que encaixaria no programa da clínica. Eles trabalham com questões psicossomáticas e psiquiátricas e o veredicto foi que SIM, eles poderiam me ajudar.

Entrei em Fevereiro com previsão de um tratamento de 8 semanas. Na segunda semana era ‘dia de Visita’ e pra minha surpresa era a junta médica e os terapeutas sentados em semi círculo pra conversar com o paciente, um por um, sobre o seu caso. Eu entrei naquela sala e senti acolhimento – depois descobri que vários colegas se sentem intimidados e detestam, eu amei. Contei um pouco da minha história e das minhas frustrações, falei sobre a incapacidade que a enxaqueca me causava e explicava que só consegui chegar ali depois de 1 ano e 5 meses – quando 5 tratamentos alopáticos ineficazes foram testatos e toda uma vida adaptada… e na sexta tentativa finalmente consegui alguma autonomia.

{Um beijinho no ombro aqui porque a médica chefe disse que meu alemão era surpreendentemente bom e me disse que eles me ajudariam a voltar pro mercado quando for o momento certo}

Foi nessa clinica, que eu tive o diagnóstico do TDAH positivo e tomamos juntos a decisão de iniciar a medicação. Com três dias de medicação eu entrei no mercado e fiz a compra mais fácil e rápida da vida. Cheguei no caixa e fui olhar a lista, eu tinha pegado tudo. Eu fiquei confusa porque… gente, não é possível! até outro dia eu tava com dificuldade de lembrar dois itens ou escrevia sete itens sendo que dois eram o mesmo, sem perceber. E, pasmem, na segunda semana da medicação eu fiquei *cinco dias* sem ataques – pela primeira vez desde 2021. Ajustamos um outro detalhe e {boom! do nada} eu tive um dia inteiro bastante ativo, sem dor, consegui me livrar de um monte de papel que eu vinha carregando sem entender o que fazer com eles – e dei mais risada do que os seis primeiros meses do ano passado.

Não pensem que eu parei de me perder em uma atividade que na verdade eu enfiei no meio de uma outra, que passei a ter noção do tempo, que minhas palavras ditas têm acurácia e se mantém no idioma pertencente ao momento. Ou que consigo comecar a fazer o almoço e terminar com a receita que era a intenção quando comecei. Não estou tentando tirar meu charme resolver enfiar o funcionamento do meu cérebro na normatividade, e não tem que ser. A questão aqui, no momento, é voltar a ter autonomia depois de uma fase que, além de não ter a noção do tempo eu tinha dificuldade em ler o relógio, assimilar informações básicas ou me lembrar qual era o assunto do qual eu ativamente estava falando após um gole de água ou um latido do cachorro.

A gripezinha, amigos… Ela fez meu sistema nervoso entrar em colapso. E meu cérebro, que já era familiarizado com a enxaqueca, se manteve no ritmo de descarga necessário. A trégua de 5 dias ainda não se repetiu, mas entre o vazio e a(s) tristeza(s) eu venho tendo momentos leves e me familiarizo novamente com meus pensamentos. Às vezes parece que minha cabeça foi lentamente, no curso de um ano pifando mas retomou a atividade no instante que recebeu a ajuda que precisava.

Há um ano eu estava exausta em Kiel, comecando a escrever esse diário, e postei no Instagram que o grande tesouro da vida é a paciência. Ainda preciso esperançar muito… espero que com a dádiva dos últimos avanços façam a espera mais leve e tranquila.

(pêndulo)

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Capítulo 7 – A Pausa

Capitulo 7

Vejam bem migs, eu ando sedenta de acolhimento e amor. Me dá a mão aqui, tenta me entender:

É muito difícil, cruel e complicado notar que, por mais que eu tenha melhorado, ainda estou longe de me aproximar do status que já tive. Passei a ser impostora de mim – tendo a convicção que não sou capaz do que já fui. E na priorização de papéis {esses emaranhados de expectativas que te condecoram como o ser que esperam que você seja} – entendi que (surprise surprise) o que me aterra é a maternidade, tal qual a vivo {cheia de questões, inseguranças, dificuldades, traumas e orgulho}. E enquanto me cuido, foco em cuidar da pequena quando ela está comigo.

E trabalho? Atualmente, além do urso (ver posts anteriores), tenho uma deficiência na visão. Comecei a perceber uma perda de visão periférica em maio de 2021, em outubro do mesmo ano eu comecei a notar grandes espaços sem foco e “ondas” com cores, principalmente em superficies claras. Dali em diante eu tenho dias melhores e piores, mas no geral a sensação de ‘strobo’ leve é constante – a não ser que eu use o óculo$ pra fotofobia que comprei com a vaquinha do meu aniversário. Bem, isso me permite sentar em frente à tela do computador por uns minutos diários, mas não me dá nenhum respaldo pra retomar uma carreira no mundo business com computador na cara 8h por dia.

Pois bem… na última segunda-feira conheci um espaço onde eu terei acompanhamento profissional no decorrer das próximas semanas com o objetivo de voltar pros trilhos. Uma das pessoas que conheci nesta clinica me perguntou sobre meu por enquanto trabalho e me lembrei que tive um burn out em 2018. Quando ela me pediu pra especificar eu fui me lembrando de detalhes e, de repente, um resquício da memória de um período de 2-3 meses, quando convivi com uma pessoa horrível me causou um horror tremendo.

Minha boca secou, eu comecei a gaguejar, esqueci as palavras que queria usar e só me veio a angústia de me sentir desrespeitada e apagada em diversos níveis. {Isso, sem o menor exageto, é sintoma de trauma…} em seguida me lembrei que, quando essa pessoa saiu, deixou uma infinidade de erros que eu passei muitos meses corrigindo e lidando com coisas que foram perdas irreparáveis pro projeto pro qual eu trabalhava. Eu me perguntei porque permaneci lá, mas dessa vez foi difícil me convencer que, com todas as situações grotescas que me lembrei naquele par de segundos, permanecer foi a decisão correta.

Nunca fui de chorar o leite derramado. Na época desses episódios eu consegui outras propostas de emprego e, quando acordei com meu empregador que ficaria, não olhei mais pra trás. Nesse momento da vida, porém, eu estou me permitindo 1- dizer que eu faria diferente e 2- me sentir triste pelas decepções que a vida me trouxe. Meu otimismo sempre me levou a olhar o lado bom das coisas e ser grata pelo lugar para onde meus passos me trouxeram, no entanto quero me certificar que a persistência não me bloqueie e que eu saiba viver o luto e seguir em frente – deixando pra trás o que não preciso mais.

Manter o movimento na verdade nunca foi um problema. Não me lembro de parar pra nada, nem por nada. Não tinha consciência do que é descansar até uns poucos meses atrás, quando meu corpo pifou. E agora no meio de mil provas cabais que estou exausta por motivos plausíveis, eu aceitei parar. E, não, eu ainda não consegui.

Mas só por aceitar parar eu sinto vergonha e medo. Medo de não ser respeitada, de ser julgada e de ter saúde o suficiente pra retomar atividades. Vergonha por ter falhado, por não estar confortável de pé , por ter espasmos faciais e usar óculos escuros à noite. E, quando consigo me divertir, eu mesma trato de me julgar e condenar, pois podia ter usado minha energia pra produzir seja-o-que-for.  Os sentimentos vem, eu os dispenso, tentando criar no meu sistema nervoso outro tipo de resposta ao focar na recuperação do meu corpo.

O que me resta é colocar isso em frases, publicar, distribuir e aguardar; esperando que tenhamos mais consciência que nossas necessidades são na verdade imposicoes capitalistas insustentáveis que eu possa inspirar, validar e/ou receber o carinho de alguém. O fato de eu não ter mais dor 24/7 me traz um alivio que se assemelha à esperança. Mas o ânimo é raro, a energia me falta e se eu pensar muito tenho vontade de chorar, por cansaço e medo do que {sabe-se lá o que} há por vir.

Que o novo tratamento melhore tudo mais um bocado e todas as conexões que criarmos nesse meio tempo façam a jornada menos dolorida. E que eu consiga me manter inspirada pelo amor que recebo, da minha pequena e de quem me apoia <3

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Os Natais de cá e de lá

Nunca amei o Natal. Como cristã questionadora eu mudei pra cá ligadona na celebração do solstício e das tradições herdadas do norte, então aceitei quando vim que o Natal faria mais sentido. O que mais amo, porém, como bruxa tradicionalista é criar meu próprios rituais cheios de detalhes familiares dando sentido pra mim às coisas.

Assim como carregamos as nozes e o pinheiro cheio de neve pros trópicos eu resolvi trazer pra ceia na Europa o pão de queijo com pernil (aqui adaptado com qualquer carne de porco). Eu já estive em Berlim por pelo menos 4 Natais e a cada ano a ceia mineira tá ficando mais elaborada. Esse ano teve tutu de feijão.

Eu não tenho nenhuma lembrança de natal que fosse fácil e tranquilo. Os dias que antecediam o Natal me davam a possibilidade de encontrar primos e amigos em Minas Gerais. Como tanto meu pai quanto minha mãe são da mesma cidade, eu e a minha irmã atendíamos a ceia na casa da nossa bisavó e depois íamos pra família do meu pai, onde tinha festa e bebedeira até tarde. Já adolescentes ainda íamos pro terceiro turno na discoteca da cidade. Eu gostava do agito, mas o Natal mesmo nunca me encantou.

Teve também uma vez, salvo engano em 2002, que passei as festas com a família de um ex namorado em Campinas. E ali, meus amigos, foi a primeira vez que eu percebi, reparei e provei uma rabanada. Achei super estranho que não tinha tutu, senti falta de verdade. Foi uma experiência bem interessante, ver como famílias (menos intensas?) celebram o Natal. Tenho doces lembranças de toda a viagem, em especial o fato de que fomos umas 15 pessoas assistir Star Wars no cinema e todos amaram o filme, mas a Cintia e o vovô dormiram :} haha. Acho que passar o primeiro natal longe dos pais, e no meu caso também longe da bisavó, tem um efeito parecido com a criança que começa a dormir na casa dos amigos e ver como são as dinâmicas familiares do lado de fora da porta de casa. Depois temos aquela fase de convivência obsessiva com os amigos na adolescência e de certa forma chegamos a ‘substituir’ a família original por uma mais alinhada com nossas idéias – talvez menos assustadora ou punitivista? Quem nunca apelidou ou elogiou alguma amiga com título de “mãe” e teve irmãos fictícios no círculo social? Santa crise, que saudade.

Por falar em Saudade, há 5 anos eu estava no Brasil às vésperas do Natal e encontrei uma amiga muito querida que vinha passando por diversas mudanças e ressignificações na vida. Sandra sempre foi gentil, inteligente, generosa e me buscou na casa dos pais do meu então marido para passarmos uma tarde juntas. O filho dela estava em vias de se mudar para Berlim e eu já estava animada em tê-los no meu círculo de família escolhida. Dois dias depois liguei na noite de natal para agradecer pelo encontro e desejar boas festas, seu marido atendeu à ligação e me informou que Sandra tinha falecido horas antes. Seu filho infelizmente não veio para Berlim, e Sandra não me visitou como planejamos, porém um colar que ela me presenteou na ocasião de uma outra visita eu guardo no meu altar.

Ano passado estive com minha família no Natal, a bisa não está mais fisicamente aqui desde 2016. Minha saúde estava descendo a ladeira de cara no chão, e eu achando que aquele quadro não tinha como piorar, sabia de nada, inocente. A alegria e entusiasmo da família piorava a dor de uma crise forte e me deixava atordoada. A noite em si foi difícil, mas o almocinho do dia 25 foi delicioso, em todos os seus sentidos. 

Venho considerando o meu atual estado – essa lenta recuperação concomitante à busca de tratamento – algo como um renascimento, dos tantos que vivi até agora. Um deles foi definitivamente determinado pela morte-vida que se cruzaram naquele momento tão natural; uma mulher se torna mãe e tenta equilibrar, com a nova rotina prática, a desengonçada seleção e adaptação dos minúsculos pedaços que resultam daquele debulhar de criação, cria, criadores e o Criador, mais o que se criou e o que será que será. O caos resultou numa migração pra um país onde não tínhamos vínculos – o que pode ser considerado um novo renascimento, mas pode também ser apenas uma fase da fase em que aprendo a ser mãe de Luizoca – em andamento ad eternum.

Nessa reinvenção de mim o instinto considerou a saudade do tutu, o apreço pela própria cultura, a vontade de me gabar pela capacidade de fazer pão de queijo com a chancela de ser mineira de nascida (quando quem protagonizava o debulhar era minha mãe), a necessidade de celebrar a vida / honrar a morte e a vontade de receber gente linda em casa. O natal vai pouco a pouco tomando forma, sempre com amigos que aqui se tornaram uma família com quem tenho grande afinidade, não sei se pelos traumas de migração ou especificidades que nos trouxeram pra mesma cidade desse planeta :)

Até as 13:00 do dia 24.12.2022 ainda não tinha me batido banzo mas fui dormir com o peito apertado quando as pessoas foram embora, feliz e triste. Saudade constante por aqui ultimamente só da minha mama e de quando eu tinha ousadas ambições na vida. Aceitei que não há vida nem Natal sem saudade, e a saudade é uma benção composta de amor que nos dá suporte pra continuar indo adiante, na velocidade que for.

Feliz Natal à todos! (dia 26 porque na Alemanha celebrar dia 24 é queimar a largada, mas hoje ainda é Natal)

E que 2023 seja ao lado da família escolhida, original ou não, presencial ou não.

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Capítulo 6 – O Urso

Capítulo 6

Falei, falei e falei no texto passado sobre um monte de coisiquinhas, rodeei tanto que deu até uma vertigem aqui. Mas se tem algo que me motiva a escrever é dar nome aos bois, porque só se pode entender e superar aquilo que é definido. 

Eu tenho vivido com um urso. Acordo, olho pro relógio, são 4:00. Tenho energia, mas se eu levantar eu vou sucumbir antes das 10:00. Dormir de novo seria melhor, mas o urso tá com fome. Passo 30 minutos tentando ignorar a fome até que desisto, levanto, tiro a placa dos dentes, pego qualquer coisa fácil de mastigar, de preferência no escuro e de olho fechado pra não despertar totalmente, volto a dormir tentando ignorar que sem a placa eu posso acabar acordando com dor, se é que a dor já não chegou.

O alarme toca às 6:02 – que eu não gosto de usar horários redondos nos meus alarmes – eu devia levantar agora pra dar tempo de escrever o sonho, alongar pra aquecer o corpo, rezar, fazer o chá {saudades café}, mas o urso tá deitado em cima de mim e mal consigo me mover. Tem outro alarme às 6:18, talvez ele saia até lá? Mas não, não sai. Eu consigo girar o urso e me arrastar por baixo dele pra sair da cama, mas só depois do snooze, são 6:23 não dá mais tempo da rotina da manhã. Preciso arrumar o lanche da miúda {semanalmente penso “porque eu não fiz isso no dia anterior? ah é, porque os ingredientes ressecam”}, depois checo algumas vezes se já coloquei na mochila a lancheira e a garrafinha de água. Tenho 5 minutos antes de acordar a Luiza, dá tempo de alongar alguma coisa. Me espreguiço, começo uma sequência de Yoga e no terceiro movimento eu me lembro que não coloquei a água que ferveu dentro da caneca, logo não fiz chá. levanto pra resolver e não termino o exercício. Acordo a meninoca e a partir daí , na cia dela, as coisas acontecem meio que de forma mais automática – mesmo quando a enxaqueca ataca.

O urso típico do meu bairro em Berlim

Enquanto o corpo faz o que precisa ser feito a cabeça tagarela: estou falando demais? Estou falando de menos? Será que essa dor vai aumentar? Dá tempo de sentar pra tomar café junto da minha filha? Mal sentei e já preciso levantar porque esqueci algo! Preciso me vestir, será que ela se sente desconfortável porque a deixo comer sozinha? Será que to falando demais na cabeça dela? Estamos atrasadas? Dá tempo de levar a cachorrinha? Esqueci algo? 

Respiro fundo e relaxo os ombros e a mandíbula. Não há uma só vez que pense em ‘relaxar os ombros’ que eles não estivessem tensos. Recentemente percebi uma sutil tensão também na região interna dos olhos, e toda vez que relaxo essa parte me pergunto se essa tensão não é relevante no gatilho da enxaqueca. Por que é que meu corpo está sempre tenso? E por nossa senhora da bicicletinha, como posso ser capaz de ‘overthink’ meu exercício de relaxamento? 

Eu percebo que se eu pego o celular, nesse reflexo que automatizamos de catar o dito cujo quando nada está acontecendo – o urso me agarra pelo pescoço, escala minhas costas e senta nos meus ombros. Às vezes ele repuxa meus tendões dos pulsos e ombros.

Quando finalmente saio de casa, seja pra levar a Luiza pra escola, pra ir a uma consulta ou pra fisioterapia, o urso que estava até então sentadinho no meu ombro adormece deixando o corpo pesar de uma forma desequilibrada, apoiado na minha cabeça, ombro e braços. E eu sigo caminhando, mas só porque, há não muito tempo, eu parava e voltava pra cama, mas daí o peso do urso me sufocava e o jeito era dormir com a angústia de saber que em algum momento eu tenho que levantar apesar do peso continuar ali. 

Sendo bem honesta, o urso também sobe em cima de mim quando vou arrumar a casa, tomar banho, cozinhar, ler um livro, fazer esporte ou qualquer outra coisa, agradável ou não. Recentemente, porém, o danado parece estar mais desperto, talvez tenha perdido peso. É mais fácil me locomover e consigo bem devagar fazer coisas uma por uma, sem muita ambição {e sem pegar o celular}. 

Resumindo bem, desde que tive o COVID em 2020 eu desenvolvi 1- um problema circulatório ainda sem nome mas similar à síndrome de Raynaud, 2- a piora progressiva agressiva e desgastante da enxaqueca, 3- dificuldades na visão, 4- O tal brain fog com uma falta de concentração que não tá no gibi e a evasão da capacidade de ligar os lé com os cré. Eu que me gabava de resolver problemas complexos hoje em dia desenho palitinhos pra fazer conta de subtrair. Elaborava planilhas e agora eu olho pra elas e parece que tô olhando hieróglifos. 

Essa situação toda atropelando minha vida me rendeu esse urso, que aqui chamam de Depression; no Brasil depressão. Na minha família e na minha vida não é nenhuma novidade, infelizmente. Tive em pelo menos 3 ocasiões uns bichos desses, manifestados em outras formas entre meus 18 e 29 anos. Quanto mais leve fica o urso mais eu consigo me mover e, já que ele não é meu, continuo não o alimentando para ver se ele vai embora logo. Assim como a fase difícil da minha enxaqueca, é uma desagradável visita de quem eu não conseguiria me livrar sozinha; então eu peço ajuda, converso, escrevo, pesquiso, aceito, me acolho, insisto, choro e, se preciso for, eu durmo.

Eu quis reiterar o texto anterior quando bati na tecla no cansaço porque me comprometo com a honestidade do meu discurso, pois o que se escreve lá do fundo, com clareza e verdade, tende a abraçar quem precisava e me trazer abraços de quem me inspira. Eu gostaria de fazer um bota-fora pro urso nos últimos dias de 2022, mas tendo experiência com ursos e sabendo que eu são teimosos; vou me lançar às mandingas de ano novo e prometer me movimentar mais, quem sabe um dia desses eu não volto a me exercitar e ele despenca de cima de mim? :)

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Capítulo 5 – Diários da dor Invisível e outros intemperes

Capítulo 5

Essa semana mencionei em um dos meus encontros meu pleno, constante e intenso cansaço. Tenho evitado reclamar, pois quem não está cansado? A exaustão é tema recorrente em todo o mundo desde o início da pandemia há quase três anos; um tipo de pandemia secundária. E eu me pergunto se estou cansada da maternidade, da migração, do trabalho em línguas que aprendi depois dos 30, da separação, da pandemia ou da própria enxaqueca. A resposta é isso tudo somado ao ano de 2020 que já caminha para sua versão 3.0. 

A realidade é que a doença que desmoronou minha vida no último ano está dando sinais de trégua. Recapitulando; em junho de 2021 achei que fosse uma fase de crises de enxaqueca frequentes, como outras que já me eram conhecidas, na sequência me acostumei e me perdi com tanta dor e medicação, já não tinha clareza da situação. Quando novos sintomas surgiram comecei a ver especialistas para descartar outros problemas. Foi então, no atendimento ambulatorial do hospital universitário Charité, que me sugeriram preencher um diário da dor. Assim minha percepção de que tinha 2-3 crises por semana se transformou no registro oficial de +20 dias com dor mensais. Em março de 2022 fui pra clínica de dor em Kiel – e de lá fiz alguns registros no blog. No começo de abril eu saí de lá com dois novos tratamentos e cheia de esperança. 

Vida nova! Viajei com minha filhota para Londres e tivemos uma semana maravilhosa, com exceção de duas crises e alguns episódios de confusão mental que me geraram algum prejuízo em libras. Tudo bem. Processos. No mês de maio percebi a piora da minha visão e – talvez pelo estresse da situação – o quadro todo piorou. No mês de junho eu peguei uma licença médica na esperança de melhorar em julho. Em julho cheguei a ter 12 ataques em 7 dias, foi o pior de todos os meses, achei que em outubro estaria melhor. 

O sorriso amarelo depois de perceber que a chave de casa tinha ficado no outro extremo da cidade

E assim fui postergando o prazo que minha mente dava pro meu corpo melhorar, mês após mês, até entender que não sou eu quem imponho o tempo. A ansiedade melhorou, os sintomas também e, com ajuda de novos hábitos e aparelhos caríssimos (além de muito apoio, cuidado e paciência de amigos, namorado, mãe, filha e ex marido), fui conquistando a conta-gotas pequenos avanços… e junto a isso um acúmulo de cansaço e desesperança que me demanda uma baita energia pra manter o ritmo. Entre meditações, exercícios de desapego, gerenciamento de emoções, terapia, fisioterapia, massagem, escrita, estudos e muito mais a conta ainda não fecha. Existir me cansa, continuo exausta.

Eis que, em novembro, no terceiro atendimento ambulatorial no Charité eu chorei as pitangas assim como descrevi ali. Imediatamente me colocaram em tratamento com anticorpos monoclonais, uma medicação chamada Emgality que {como num passe de mágica ultra-tecnológico} fez meus sintomas ficarem mais espaçados, as crises mais raras e menos intensas. Foram apenas 16 dias com dor em novembro, sendo que os piores dias não me paralisaram e a fotofobia melhorou tanto que consegui sair sem óculos um par de vezes – pela primeira vez desde junho! E eu, com alguns esforços focados, ri muito, fiz muitas piadas, perdi menos compromissos e sai algumas vezes com a intenção de me divertir – com sucesso.

Por isso, há semanas eu vinha prometendo que escreveria sobre a melhora do meu quadro de enxaqueca, e embora eu tenha pensado em meia dúzia de ganchos e trocadilhos que me renderiam bons textos, continuei sem atitude. O último mês me deu ânimo para planejar coisas, olhar algumas outras e perceber com clareza o quanto eu estive mais debilitada do que conseguia vislumbrar. Executar tarefas simples e retomar atividades continua sendo um desafio que me consome. Preciso constantemente me lembrar que as falhas fazem parte do processo e que devo agir com compaixão por mim e, ao mesmo tempo, pelos que estão ao meu redor. 

Foi preciso esse vírus duzinfa me acometer de novo pra eu resolver retomar a escrita. Sim, porque dois anos depois de ser infectada pelo vírus que desencadeou uma reviravolta extra na minha vida, após 3 vacinas eu adoeci e testei positivo para COVID-19. Dessa vez o pavor não me atacou. Quando alguém passa por tanto em tão pouco tempo termina-se por ter atitudes e reações diferentes. Talvez porque com as vacinas e mutacoes os sintomas foram menos intensos, talvez porque eu pense menos, reajo menos e respondo aos estímulos de outra forma. Talvez porque meus hábitos mudaram e hoje tento retomar a confiança no meu próprio corpo – pois eu confio na força do universo que o criou.

O meu teste de COVID já negativou, no meio tempo o da 8 anos, devidamente vacinada, positivou. E vai passar também.

No momento não tenho nenhum prazo para “voltar a ativa”, mas sim um prazo bem longo para que eu possa voltar a analisar minhas capacidades com clareza. Até lá, vivo desacelerando os pensamentos, agradecendo pelo que já passou, aceitando “o que tá teno” e honrando as bênçãos que recebo. Passo por passo mesmo sem saber o que vem pela frente e nem como vou chegar.

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Meu trabalho em Berlim

Definir prioridades priorizando qualidade de vida

Originalmente postado em 12.03.2019

Quando comecei a trabalhar fiquei impressionada com a falta de assuntos de cunho pessoal, com o fato de ninguém abrir o próprio email ou atender o telefone. Afinal, there’s no fun in Germany.

Lembra desse meme?

Eu só tive experiência com uma empresa na Alemanha até o momento, então não sei se tive sorte ou se é um padrão. Diversas vezes no escritório me disseram pra não levar o trabalho pra casa. “Eu faço isso, você tem uma família, eu não”. Família é mais importante, saúde é mais importante.

Na minha entrevista de emprego, o entrevistador era o diretor de operações da empresa, atualmente meu chefe direto. Não me lembro de ele ter perguntando se eu tinha filhos, mas eu mencionei a filhota ao dizer que não gostaria de fazer o trabalho em horário integral. A resposta foi que eu poderia fazer 30 ao invés de 40 horas, pois a diferença do salário não compensaria minha ausência na vida de uma criança pequena. “Se eu fosse pai não trabalharia horário integral”. Chamei a miúda de “meu melhor projeto” e ele me disse sorrindo que com esse nunca iriam competir. Anotado.

Tive uma enxaqueca na sexta passada e meu fim de semana ficou esquisito. Me senti cansada na segunda. As 15h, pouco antes de sair, pedi a terça de férias pro novo chefe (que está no cargo há uma semana), ele disse “sem problemas, eu fico no floor, é bom pra me familiarizar com a equipe”.

Achei prudente avisar o atual chefe, mandei um whatsapp com algo como “Amanhã não virei, preciso ficar em casa. Minha enxaqueca não foi totalmente embora. Vou, porém, checar os emails pois tenho uma call com cliente X as 13h”. A resposta que recebi foi exatamente: “Sure. Take some rest. And don’t work too much.”

Aprendendo a língua :)

Sou chefe de uma equipe de 15 pessoas em expansão, tenho 3 pessoas de confiança (algo que seria como coordenadores) que junto dos meus dois chefes fazem minha presença saudavelmente dispensável por alguns dias. Ou duas semanas. Na ausência de um deles eu também faço o que estiver ao meu alcance pra minimizar o impacto.

Férias na Alemanha

Normalmente as pessoas têm de 25 a 30 dias úteis de licença paga por ano. Eles podem ser tirados isoladamente – como meu dia de hoje – ou em sequência. Ou seja, por serem dias úteis – ao contrário do Brasil -, uma sexta e uma segunda debitam só 2 dias no seu acordo e você naturalmente usa 4. Metade de um dia também pode ser usado – por exemplo pra uma visita ao médico.

Normalmente a cada mês trabalhado você está elegível a 2 dias de férias que podem ser acumulados, mas de preferência não muito, ha. Enquanto gestora, eu instruo que os dias isolados sejam solicitados no mais tardar na semana anterior e sequências com pelo menos um mês de antecedência — porém férias próximas ao Natal e de verão começam a ser planejadas com 3 ou 4 meses de antecedência. Assim consigo evitar ausências concomitantes de pessoas com mesmos habilidades/perfis.

Acontece as vezes de eu ir até um funcionário e pedir por gentileza pra ele agendar férias, porque em quase 5 meses ele pediu nenhum dia, ou poucos. O ideal é que, antes de cada 12 meses de trabalho serem finalizados, todos os 26 dias ou boa parte deles já tenham sido usados.

Fun facts about Germany

Eu vivo a seriedade com que a Alemanha é vista, mas também vejo uma Berlim despojada em uma média de 3 minutos por semana no meu trabalho. Sim, isso foi uma tentativa de piada ruim como as diversas que eu solto em momentos inoportunos e quase ninguém ri.

Dentro do escritório há muito pouco tempo hábil pra relações se tornarem uma amizade, porém há um imenso respeito pela necessidade do funcionário em passar tempo com sua família ou simplesmente fora do escritório.

Além disso, estranhamente pra uma brasileira como eu, existe uma verba pra gente passar algumas horas juntos fora do ambiente formal a cada 3 meses, visando nos conhecermos melhor.

Tem hora pra tudo: até pro happy hour. Now go back to work.

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Tijolinho por tijolinho

Quando eu era criança eu sonhava em ter uma casa com escada e cachorro. Quando casei com ele eu tive. Quando era adolescente eu dizia que se tivesse filho eu ia querer um sagitariano. Com ele eu tive.

Quando eu me entendi por gente eu dizia que queria morar em Paris. Ele me levou pra lá, passeamos de bateau no rio Sena e subimos a torre Eiffel – de escada – pra vermos a cidade luz do alto, num fim de tarde incrivelmente lindo. 

Eu sonhava em morar fora do Brasil e trazer uma miscelânea de culturas pra minha casa, com ele eu vim. 

Eu não tinha certeza se queria ser mãe, com ele eu quis. Ele me deu a possibilidade de estar vivendo a experiência mais intensa da minha vida, criando essa mini figura a quatro mãos: regadas de suor, confiança e orgulho.

Eu cresci cheia de certezas e controladora, ele faz a egípcia pras minhas orientações e discorda dos meus critérios, até por fim acharmos juntos um consenso, cheio de maleabilidade pra lá ou pra cá.

Ele quebrou minha dureza, me faz repensar. Me fez acreditar no impensável, em mim e na resiliência do amor. Tenho a-sorte-de-um-amor-tranquilo-com-sabor-de-fruta-mordida que me deixa de olhos marejados de orgulho; da nossa história, das nossas batalhas, da nossa cumplicidade.

Se não fosse pelas idéias dele eu não estaria onde estou. Se não fosse pelas minhas ele não estaria onde está. Nós estamos construindo esse infinito que é amor/casamento/família sabendo que ainda temos muito a conquistar e ainda muito a perder – o bom e velho paradoxo da escolha. 

Eu escolho você, Fabricio Cinelli. Com o mau humor matinal, com seu cuidado com a gente, com seus talentos, com a impaciência, lealdade e companhia. Todos os dias são nossos. Te amo. 

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Manhei

Luiza há uma semana começou a usar um verbo novo, o MANHAR.

Filha, pega essa sacola pra mim? “Você tá manhando essa mamãe?”, “eu manho que vou de patinete”, “você manha que eu posso fazer isso? eu manho que não”, “mamãe, você manha que papai tá chegando?”.

Foram 3 dias de eu manho, você manha, está manhando até eu entender que ela traduziu o verbo meinen do alemão. Pra quem entende inglês, é parecido com o verbo to mean.

Agora alguém me avisa se é certo morrer de orgulho de um trem errado desse tanto?

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