Passagens

Faz tempo que bateu aqui que a graça dessa vida é superação e gratidão. Eu vim pra Brasília/São Paulo depois de 1 ano e 2 meses de Berlim. Agora estou a 36 horas de partir de volta pra casa.

Estou terminando a jornada de quase um mês no Brasil com encontros lindos na memória, abraços infinitos que afagaram meu coração e chorinhos divinamente consolados pelos anjos amigos que a vida me deu – que são minha grande fonte de gratidão e aprendizado.

Na última semana eu encontrei minha amiga Sandra, que me foi apresentada em 2008 pela primeira chefe, Gigi – que sempre digo que foi quem me ensinou a trabalhar. Trabalhei também com a Sandra, que me dava lições diárias de garra, persistência e compaixão. Nós nos tornamos amigas.

Na última quinta eu tinha uma reunião pra qual Sandra me ofereceu uma carona, mas por força do destino foi cancelada e tivemos tempo para um lanche juntas. Conversamos sobre os rumos da vida, os replanejamentos, reestruturações; a beleza da resiliência e da simplicidade.

Ela estava leve, sorridente e com a gargalhada gostosa de sempre. Me prometeu uma visita no meio do ano, já que seu filho do meio vai estar por ali. Mas nós não sabiamos que ela estava encerrando seu ciclo no nosso plano. Eu não consigo mensurar o que senti quando soube da sua passagem. É devastador saber que uma mãe foi embora. As mães deviam ser eternas.

Tive um colapso seguido de resgate – de novo esses amigos-anjos me ajudando a me curar. Minhas crenças se sobrepõem às lágrimas. O susto aos poucos vem dando lugar às orações – que pareciam caça palavras ontem. A sensação de dormência vai dando lugar à gratidão por ter uma amiga como ela cruzando meu caminho. Gratidão ainda maior por tê-la encontrado há poucos dias e testemunhado a leveza que ela sempre mereceu.

Minha irmã ontem mandou um texto que dizia: “Quando chegar o momento de partir dessa vida, uma pessoa iluminada, que vive em paz e em harmonia com o mundo inteiro, se moverá para uma dimensão de total benção e alegria.” E assim é.

Eu espero ainda ter a oportunidade de dar todos os abraços possíveis em todos os amigos enquanto estamos por aqui. E que meu ego compreenda que para morrer basta estarmos vivos. Não é preciso entender, apenas aceitar. Enquanto estamos aqui, o melhor a fazer é crescer, superar, agradecer e amar.

PS: Acho que as mães são eternas, afinal amor de mãe não acaba.

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