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Planejamento ou fome

Tava ontem falando pra Claudia Ramos que, nesse primeiro ano de Berlim, a minha única reclamação era o breu. Os dias estão ficando rapidamente mais curtos e daqui a pouco a gente tem menos de 7 horas corridas de luz do sol. Mas a vida é cíclica, o outono acaba e o inverno chega aumentando os dias pouco a pouco… uma coisa linda de se ver e de se aceitar. Aprendizado, superação, sascoisatudo.
Daí hoje é domingo. Praticamente nada no comércio abre (com excessão de restaurantes ou pontos longe-da-minha-casa que tem mercado caso haja uma emergência). E eu não tenho mais polvilho e tô louca de saudade do pão de queijo que acabou essa semana.
Na Alemanha ou você aprende a se planejar ou você aprende a se planejar.
Bom dia.

Um pedido

No dia do atentado em Berlim estávamos voltando de um supermercado quando soubemos do episódio. Rapidamente entrei no Facebook e vi algumas pessoas que já tinham feito contato preocupados com a gente, mas vi também uma ferramenta fofa pra você se marcar “a salvo”, e assim o fiz. Aos poucos, todo mundo que tenho contato aqui foi fazendo o mesmo.

O local dessa tragédia é a uma estacao da que estive naquela tarde pra ir pro curso de alemão. Dá pra ver um lugar a partir do outro. É bem perto de casa, mas nâo é na minha esquina. E nós só passamos por lá uma única vez, ainda de férias, no verão.

Surgiu na minha cabeça aquela sensação de estar com o perigo por perto, mas eu resgatei a segurança que sinto diariamente caminhando pelas ruas por aqui – coisa eu evitava fazer desde que me mudei pra Brasília em 1998, quando soube de um assassinato de um garoto na quadra vizinha à luz do dia.

Passado o susto, passada a sensação de terror e a lembrança de que há muitas outras vítimas inocentes ao redor do mundo, comecei a fazer orações pelas almas e seus familiares. E, além disso, fui contemplada com a sensação de gratidão. Pela minha vida, pela saúde da minha família, pelo livre arbítrio e por todas as decisões que nos trouxeram até aqui. E, principalmente, pelo entendimento do privilégio que é poder estar onde estamos e tentar fazer algo bonito com isso.

2016 ainda não acabou… tem sido um ano desafiador. Em 2017 que tenhamos sabedoria, empatia, amor e humildade em doses cavalares. E que não nos deixemos rotular, generalizar, odiar ou desistir.

My favorite station #lights #sassy #myneighborhood

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Sejamos fortes.

Paz.

Pazes

Eu passei por um breve período com uma relação intensa de ódio pelo blog. Na verdade pelo serviço de hospedagem. Na verdade pela minha falta de habilidade em lidar com serviços de hospedagem. Mas a verdade MESMO era por causa da alta do dólar, que acabou com meu poder de compra internacional, mesmo que os valores sejam ínfimos – na moeda deles.
Eu amo meus registros, e amo escrever aqui. Me organiza as idéias, me faz digerir o que preciso entender e me faz ver que cresci.
Obrigada aos amigos que me ajudaram a nacionalizar meu blog e desculpa pelo analfabetismo virtual.

Padrão

No banco as senhas de câmbio não tem “versão” preferencial. Pego uma preferencial geral, que tem outros 6 números na minha frente, nenhum deles pra câmbio. Resultado, levo mais tempo pra ser atendida na P do que pela senha comum.

Highlights: a atendente fofa do câmbio que disse que não podia me atender porque “ta cheio de preferencial que chegou primeiro” e o filtro com água no segundo andar, porém sem copos disponíveis que não sejam aqueles descartáveis de café, pra tomar um golinho de cada vez.

Tem medo?

Há alguns meses estive no Rio de Janeiro com amigos, e me surpreendi ao me ver tranquilamente indo/voltando do apartamento para o barzinho a noite, a pé.

Não me recordo da última vez que caminhei pelas ruas de Brasília após as 20h00. Definitivamente faz mais de 10 anos. Por um senso de auto preservação, declarei meu próprio toque de recolher.

Acho que me antecipei. O ano de 2014 está me chocando diariamente, com notícias de assaltos, tiros, sequestros, violência aleatória.

Ontem tive o desprazer de assistir ao noticiário local. Um vídeo mostrava um assaltante sendo pego após um furto em um ônibus. Foram necessários 3 policiais e um transeunte pra conseguirem algemar o bandido que se debatia e agredia os policiais, reagindo à prisão. O EXTREMO DESPREPARO dos policiais é gritante! A arma do policial chega a cair no chão! Uma cena digna de uma comédia policial.

Já era sabido que o DF tem as regiões mais violentas do país. E me incomodava o fato da nossa Bras-ilha estar alheia à isso, na nossa bolha imaginária do Plano Piloto. E a bolha estourou.

Eu não sei sobre vocês, mas eu não tenho a intenção de passar os próximos anos vendo esse cerco se fechar cada vez mais, e tendo que engolir o caos dessa polícia – para a qual eu precisarei de um outro post pra comentar.

eu quis

E vai melhorar? Além da trapapolícia, vai vendo como estão sendo tratadas as crianças e adolescentes por aí…

Tsc tsc tsc

Na Brasília de 2013, seguir as placas de trânsito pode ser uma bela armadilha. As vias vão-se abaixo, as placas continuam de pé.
Eu quase dei com o carro em mini abismos. 3 vezes. Augusto que o diga! E entrei em ruas sem retorno me atrasando a vida 2x.
Pois bem, se não posso confiar nas placas, devo ignorá-las ou fazer o inverso?
Deseducação nível Pro 🙂

Quanto mais conheço os humanos…

Eu gosto de cachorros desde sempre. Eu tinha um BFF quando era criança que eu insistia que era um urso de pelúcua que viajou pro espaço e voltou com as orelhas crescidas – na verdade era um cachorro de pelúcia.

Meu pai, por sua vez, diz que não gosta. Mas minha versão é que ele gosta sim, e tem medo de se apegar – ou que a gente se apegue.
Tive um filhote mestiço de Dobermann quando era criança, era Diana. Meu pai detestou quando a levamos pra casa, porque a gente queria dormir com o bichinho chorão. Ela morreu bem pequetita, choramos muito e meu pai dizia que “por isso” que não queria cachorro.

Dada as condições, depois do divórcio dos meus pais, um dos fatores determinantes pra eu ir morar com minha mãe foi isso. Nos mudamos e em menos de um mês adotamos Catarina, minha primeira cachorrinha. Ela é uma lady maquiavélica de 4 patas. Está aposentada, com 10 anos, vivendo na chácara com minha mãe, onde come muito, toma poucos banhos e manda em todos os outros bichos. Meio cegueta, mas com um vidão.

cat4

Depois tive a Luna, que fui com marido buscar em BH. Uma Golden Retriever de 4 anos, vive com minha sogra e meu sogro e tem um espaço enorme pra correr e piscina pra pular quando tá calor. Lady também, mas definitivamente submissa e feliz.

Lulu

Agora temos Margot, que por ainda ter 10 meses não tem personalidade muito definida. Só é perceptível que o nível de felicidade dela se sobrepõe aos outros cães por aí. É de acalentar o coração! Segundo meu marido, é o resultado de ser um bichinho extremamente amado, que nunca sofreu mal de ninguém, e não há de sofrer :~

O que acho do dito popular, que “quanto mais conheço os homens mais admiro os cães”? Hell yeah! Mas ultimamente minha pegada é mais “aprender” com os cãezinhos. Humildade extrema, amor incondicional, alegria gratuita e superação instantânea são coisas que deveriam estar mais presentes na humanidade. Me incluo. Sempre.

Margarina2