Marielle Presente

Eu adoraria ter conseguido falar sobre o que senti ontem com a notícia da execução de Marielle Franco. Não falei, só chorei.
Eu adoraria dizer que tenho esperança. Eu queria conseguir explicar pra minha filha a razão da minha tristeza e dos meus choros pontuais. Como eu queria ter vindo morar fora só pra realizar um sonho e não pra fugir do medo diário, do desgaste de energia, da desesperança de estabilidade e de um abismo social longe de ser tratado. Da educação elitizada – que perde muito de seu propósito e seu valor, na minha opinião.
A execução covarde de uma vereadora defensora dos direitos humanos, da vida humana, que dava voz a gente que merece ser ouvida me dilacera por dentro. Representatividade importa. Ela o fez com a coragem que se deve ter quando se ocupa tal espaço.
“Preto, mulherzinha, viadagem, macumbeiro, favelado”. Inferiorizados e calados.
Me intriga. Me dá asco a ousadia, covardia dessa gente branca, ultrapassada, ignorante que não sabe que o preconceito os faz muito menos humanos do que qualquer dos marginalizados por eles próprios.
A dor me toma conta diante de tudo que leio. O horror em ver tanta gente atordoada, eu sem saber como reagir, a vontade de gritar e pedir perdão por todos, por tudo.
Não tenho mote, não consigo formular muito… não tem graça, não tem início meio e fim. Hoje meu post é um mero desabafo: desconcertado, abafado e triste. Deus nos proteja…

Perolinhas

3 anos e 3 meses. Uma metralhadora de conceitos emaranhados no que ela ouve por aí. Muito “certo e errado” e um perfilzinho analítico e detalhista querendo argumentar.

…….

Depois do banho perguntei se Luiza queria ficar mais uns minutinhos brincando na banheira. Quantos?
– Dez!
Saí, voltei, conversei com ela, fui na cozinha, voltei, falei com ela de novo, e de repente voltei sem falar nada e ela faz uma cara seríssima:
– Não passou dez ainda!! Eu tava contando!!
– Ah, tudo bem, devo ter me distraído. Quantos minutos faltam, filha?
– Vinte!
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– Filha, quer ver o Pinocchio antes de dormir?
– Sim! A Tanis da minha Kita fala Quinóquio. Ela fala errado, Pinocchio não é com Q, é com P!
– Que fofa!
– É mamãe, ela fala errado. Quinóquio. É errado.
– É porque ela é pequena, filha. Quando você era pequenininha e chamava o elefante de Tutu não era errado, era só seu jeito de falar. Você tava aprendendo ainda.
– Mas mamãe, Quinóquio é errado – gesticulando muito.
– Você acha, filha? E Pelevisão?
– Pelevisão é certo!

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— Mamãe, o que é isso branco aqui no seu cabelo?
— Isso é meu cabelo mesmo, são os cabelos brancos que você me deu.
— eu acho que eu não te dei não, eu acho que eles estavam aí mesmo.
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Botando pijama na miúda e conversando sobre as coisas que ela não precisa fazer:
— você já é craque, filha. A mamãe foi aprender essas coisas grande já. Sabe quando?
— hum? (Olhar muito interessado)
— com quase 30 anos.
— Trinta mamãe? Igual minutos?

*Dessa vez eu gargalhei*