O Desafio da Paternidade

Ou a bênção?
Delícia de vídeo!

Um ano novo é uma chance de sermos pessoas melhores. Feliz 2016.

Publicado por Marcos Piangers em Segunda, 28 de dezembro de 2015

0.8

Nunca fomos apenas nós 2.
Éramos eu, ele e muitos, muitos, muitos (muitos mesmo!), muitos amigos.
Nós 2 e um cachorrinho, mais nossos amigos em comum. Além deles tínhamos os meus amigos, os amigos dele e as nossas famílias. E uma sensação boa de amor novo, um sorriso bobo na cara. Nossos passados, nossos planos, nossos impasses.
Planos? Eu com meus planos, ele imediatista.
Eu cheia de certeza, ele questionador.
Eu disléxica, ele fã do dicionário.
Eu prática, ele caprichoso.
Eu metódica, ele me achando sem sentido.
Eu master da orientação geográfica, ele perdido dentro do DF.

Outro dia ele disse “Caramba, gatinha! Depois de quase sete anos a gente ainda tem história inédita pra contar”. Sorte minha que a memória dele não é das melhores.
Eu cheia de vaidade, ele cheio de vaidade.
Eu de brilhos, ele de preto.
Eu atenta, ele dentro do planeta dele.
Eu escutando sem ouvir, ele prestando muita atenção.
Eu no celular, ele na TV.
Eu no Candy Crush/cochilo, ele no futebol.
Eu no trabalho, ele viajando com a banda.
Nós dois e uma garrafa de uísque. E amigos com outras garrafas de uísque. Nós dois no rock: mais plano, outra viagem, ingresso, mais um show juntos. Muitos shows!

Mil vezes tendo certeza de que era pra ser. Mil vezes justificando tudo o que deu errado na vida; Porque se não tivesse sido assim a gente não teria se reencontrado – ou sequer se encontrado.
Eu gargalhando, ele fazendo graça.
Eu sem assertividade, ele indeciso.
Eu falando sem parar, ele fingindo que ouve.
Ele falando sem parar, eu ficando com sono.
Nós dois falando, falando, falando sem parar, pedindo a vez. Esquecendo o que ia dizer. Lembrando três dias depois.

Nossas viagens na maioneses, nossas viagens pra uma, duas, três, quinze cidades, muito em breve muito mais.
Eu, ele e todos os bichinhos que engraçados que passam na rua. Os passarinhos, os cachorros, os gatos e os golfinhos.
Eu preguiçosa, ele também.
Eu comendo palmito, ele comendo hambúrguer.
Eu querendo pizza, ele querendo cerveja.
Eu com meus pitis, ele com os dele.
Eu com a minha sanidade, ele com a dele – ambas bem distintas e instrasigentes.
Eu insistente, ele reticente.

Emocionados com música, com a água, com a luz, com o céu, com o amor alheio.
Eu feminista, ele casamenteiro.
Eu casamenteira, ele tentando ser discreto (e sendo hilário sem querer).
Eu querendo ir pra Turquia num sábado de manhã, ele querendo ver Alienígenas do Passado.
A gente cheio de amor um pelo outro, cheio de coisa pra aprender, querendo ficar junto, querendo ficar velho, querendo ser melhor.

E Luiza. Outra personalidade que veio da gente, ainda não desvendada, se entrelaçando nos nossos pilares, transformando prioridades e enchendo mais ainda nossos dias de AMOR.

8 anos de aprendizados, mudanças, amadurecimento, desapegos, piadas ruins e vida passando. Que venham muitos oito!

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Avaliação

Uma das coisas mais estranhas que senti pós maternidade: passei alguns meses sem gargalhar. Achava graça das coisas, mas parece que o cérebro tava num modo full de emoções e a risada não vinha.
Além disso eu tenho uma sensação de que avalio menos. Não sei muito o motivo, ainda não consegui analisar a fundo – porque não consigo mais fazer isso tão de imediato: me parece que as minhas percepções e avaliações – que antes eram infinitas – passam por menos etapas, fluem em menos variáveis e acabam mais práticas e (talvez) menos profundas.

Ainda na época da barrigona eu percebi uma conexão maior com o aqui-agora. Perdi a ansiedade que tava sempre dentro de mim, comecei a aceitar a ordem e a hora das coisas.

Tenho a impressão de que praticamente todos os meus pitis de 1 ano pra cá foram causados pelos hormônios puerperais. Não sou tão chata, não sou tão exigente, não sou tão doida quanto pareci nesses momentos. Ou me nego a perceber que sou. haha.

Todos os dias eu tenho instantes de gratidão pela vida que tenho. Todos os dias eu tenho uma novidade pra aprender com Luiza. Eu nunca me imaginei tão envolvida com o mundo prático, sem racionalizar cada passo dado, e mesmo assim tenho um caminhão de planos pra minha família e pra mim.

Meus medos são os mesmos, mas me desgastam por muito menos tempo, pois tenho gastado meus minutos sendo feliz com as escolhas que fiz e as conseqüências trazidas pelos meus passos. Pequenos passos, dados um de cada vez. Sem pressa.

Na prática os projetos são mais lentos, meu raciocínio é menos aleatório e a vida tá ficando mais leve – embora eu me sinta menos inteligente. Mas é que agora não é hora de brilhar intelectualmente. É hora de ser prática e eficiente. E de ser mamãe.

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