Despir-se

Outro dia os meus amigos mais ligados à arte fizeram uma foto com vários peladões. Na exposição desses quadros – lindíssimos, por sinal – me pus a pensar na metáfora linda que essa nudez representa.

Despir-se de preconceitos, rancores, tristezas, julgamentos e mágoas é um cadim parecido com tirar a roupa. Exige esforço e desapego. E convenhamos, aqueles que tem essa coragem – e audácia – representam uma parte irrisória da população.

Em todas as teorias e historias que tenho como modelo, percebo que a gente é, basicamente, aquela força gigante no meio do peito, condensada e latente, que gosto de chamar de alma. Além disso é o que temos. Meu corpo, minhas atitudes, meu esforço, minha matéria, minha história. E a gente escolhe andar por aí embaixo de camadas mais camadas de marcas ou se abrir como um sorriso, determinados a fazer a diferença e conquistar o planeta.

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E como disse uma amiga, pra ser feliz precisamos de suor e sorrisos. Esforço e bom humor nos faz mais orgulhosos de nós mesmos e traz consequências melhores.

Assim espero.

(Foto da foto de Layana Thomaz por Diego Bresani)

Já dizia o sábio:

Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.

Não gosto da formulação, mas creio que seja mérito da tradução. O certo é que, se você está num trabalho que não te desafia, não te proporciona o orgulho da superação e não te acrescenta, estás no lugar errado.

A vida tem me sido muito linda neste sentido. Tenho sentido uma facilidade incrível por me apaixonar por projetos, por novos processos e novos desafios. Eis que, diante das opções que o universo me colocou, tive a oportunidade de vir trabalhar num lugar que me exige várias das coisas que eu sempre amei fazer. Ao invés de pôsteres – de bom ou mal gosto – nas paredes, tenho números, metas, tabelas. A maioria dos comunicólogos se arrepiam; eu me encontro <3 Quando você acorda as 5h50 da manhã pra malhar e vir trabalhar com o ânimo de quem tá indo pra Disney, dá pra saber que as coisas estão no caminho certo. o.O

Enquanto isso, as idéias com cores, flores e amores correm soltas por aí, e prometem um bom resultado, diante da minha falta de tempo, por meio das parcerias envolvidas. Resultado de uma mente calma e cheia de fé.

Somos o que queremos ser. Eu escolhi ser otimista e tranquila, embora por herança eu teria o contrário. Levou bastante tempo, mas tá valendo a pena!

O paradoxo da escolha

Quando era criança eu gostava de matemática e de português. Quando me mudei pra Brasília aos 14 anos, vi na mudança uma possibilidade de aumentar minhas chances de trocar dos dedos de prosa com qualquer pessoa que eu quisesse, sem medo de julgamentos. Como explicar isso? Vi no carinho dos colegas que se despediram em BH, um incentivo pra explorar melhor o meu “eu”, e desde então eu as vezes me pego a cuidar da minha imagem – ironicamente pra ser o mais autêntica e despretensiosa possível.

Aos poucos fui me desvencilhando do que me era esperado, e talvez tenha tomado decisões não tão corretas, prezando pelo meu apreço à contradição. Os professores no terceiro ano não acreditavam que uma aluna com tanta facilidade lógica e matemática iria rumar pra comunicação. Apesar de ter questionado essa decisão algumas vezes ainda acho que meu raciocínio sistematizado é um diferencial na minha área de atuação. Aos 30 anos eu me vejo tão assertiva quanto aos 20, mas agora com uma certeza nítida de que não sou dona da verdade e preciso aprender e analisar antes de apostar em algo. Menos teimosia, mais humildade.

Ha 6 meses eu estava desempregada, tentando me acertar comigo mesma, medindo qual seria o melhor caminho a ser tomado. Ha 10 dias me despedi novamente de um emprego fixo, mas dessa vez com o maior de todos os ânimos, uma necessidade absurda em dispersar energia e a certeza de estar no lugar certo, na hora certa, com consciência e integridade (física e mental) que tornam meus próximos passos promissores sejam estes quais forem.

Quando se tem boas a opções, a escolha é baseada no que estamos perdendo. Neste caso, me sinto abençoada por saber que todas as vias à minha frente estão repletas de luz – e que toda a luz é projetada pela minha percepção, que nunca foi tão otimista!

Checkout dos 20

De quem eu era pra quem sou. Sou mais tranqüila, minhas piadas são mais sutis – até a terceira dose – e bebo muito menos. Aprecio mais, ouço mais, tento entender pouca coisa, amo muita gente e eles me trazem as melhores lembranças. Casei de branquinho com o gato da facul, tive um sobrinho que me ensinou a amar à primeira vista. Consigo lidar com mais leveza com o mundo, me entendo bem e eu tenho estado muito receptiva ao que o universo me proporciona 😉

Entrego, confio, aceito e agradeço.

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Quase 30

Ver o mesmo filme aos 20 e depois rever na semana que completo 30.
Dá pra ver porque minha irmã de 6 anos fica abismada de eu ter “muito mais de 15 anos”.

Naquela época, se eu conseguisse parar pra pensar por 10 ou 15 minutos, pra analisar profundamente algo, meu eu atual seria um chato. Assim como achei esse filme com o qual risada agora.

Catarina, minha cachorrinha, que era um bebê naquela ocasião – e pulava fazendo um circuito em alta velocidade na sala de casa -, agora está deitadinha tranqüila do meu lado. Já Margot, 10 meses, deu umas latidas, puxou o cobertor duas vezes e está cavando seus brinquedos.

A magia da idade. Por essas e outras que aos 8 anos achamos que com 28 teremos 5 filhos.

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Go with the Flow

Eu costumava pensar que ficar analisando coincidências deixava as pessoas malucas. Isso pode ser um resquício do diagnóstico de TOC que recebi – discordando. Após algum tempo, os ditos sinais da vida começaram a me parecer positivos quanto mais leveza eu trazia pra minha, mesmo com uma ponta de desconfiança.

Flow

Há uma semana, eu estava tentando explicar do que se tratava meu novo projeto de consultoria, sem muito sucesso. Pudera, estou mesclando psicologia prática, gestão de pessoas, otimização de processos e, claro, comunicação. Tentava achar um meio de dar um nome pro objeto do meu trabalho, tão intangível e tão necessário às empresas. Eis que um amigo me disse que havia um livro, que tinha esse mesmo nome que você pode ler ali em cima: Flow. E que É tinha muito a ver com esse Frankenstein que criei.

Quando resolvi finalmente fazer o Projeto Flow ganhar forma, resolvi ver o que poderia aprender nesse livro, chamado também Flow. Eis que, além de ter o mesmo nome com o qual batizei meu projeto disforme 4 anos antes, ele trata das sincronicidades. E de felicidade, de otimização, de desafios e bem estar, termos que eu uso com frequência para explicar o core business do meu projeto.

Flow Model

Passei então a ver os sinais divinos da vida com outros olhos. Os que me aparecem estão me atestando meu pertencimento ao momento pelo qual estou passando. E isso só me dá mais força para seguir adiante, sem medo das adversidades.

The world is mine s2